A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria lança novo portal com 2600 vídeos

Novo projecto do realizador Tiago Pereira reúne o trabalho documental feito nos últimos anos sobre a música popular portuguesa

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Isabel Carvalho/A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria

Mais de 2600 vídeos de música popular portuguesa vão estar disponíveis online, a partir de 21 da Janeiro, no portal A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPGDP), um projecto fundado pelo realizador Tiago Pereira. O portal é o passo mais recente de um projecto de recolha e divulgação da música popular portuguesa que o documentarista e realizador criou em 2011 e que o levou, de Norte a Sul do país e às ilhas, a filmar anónimos e artistas a tocar e a cantar em português.

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Mais de 2600 vídeos de música popular portuguesa vão estar disponíveis online, a partir de 21 da Janeiro, no portal A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPGDP), um projecto fundado pelo realizador Tiago Pereira. O portal é o passo mais recente de um projecto de recolha e divulgação da música popular portuguesa que o documentarista e realizador criou em 2011 e que o levou, de Norte a Sul do país e às ilhas, a filmar anónimos e artistas a tocar e a cantar em português.

A partir da imagem de um mapa de Portugal, o visitante pode escolher uma região do país e explorar a música que Tiago Pereira gravou localmente, com tocadores e músicos, amadores e profissionais, construtores de instrumentos, gente anónima que preserva ainda a música pela transmissão oral.

"É importante ter isto tudo online, porque são 120 teras [terabites] de vídeos, e estão disponíveis para todos verem e pesquisarem como entenderem, por regiões, por instrumentos, por grupos", disse Tiago Pereira à agência Lusa. A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria começou por ser um canal na plataforma Vimeo, dedicado à "maravilhosa variedade da música portuguesa". O canal começou a 16 de Janeiro de 2011, com um vídeo do músico Jorge Cruz, dos Diabo na Cruz, a tocar guitarra numa zona degradada junto aos estúdios Golden Pony, em Lisboa. Seis anos depois, a MPGDP é uma associação cultural e conta com mais de 2.600 vídeos, nos quais se podem ver músicas que vão de Sérgio Godinho ao Grupo de Cantares de Sobral do Pinho.

Nesse processo de périplo incessante pelo país, somando milhares de quilómetros e horas de gravações, de contacto directo com a vida de muitos portugueses, Tiago Pereira realizou a série documental O povo que ainda canta, dando a voz aos seus protagonistas. A série já foi exibida na RTP2 e é agora editada num livro com oito CD, a lançar também no dia 21, numa sessão no Teatro da Trindade, em Lisboa.

"Isto fecha um ciclo, mas não vou parar de gravar, porque a música portuguesa — já o disse antes — é um processo contraditório, incoerente e inconstante. Não sei o que é a música portuguesa e o que é tradição, mas é importante continuar a gravar", disse Tiago Pereira.

Depois da MPGDP, o realizador criou os projectos — está ainda a desenvolvê-los — A música ibérica a gostar dela própria, A Comida Portuguesa a Gostar Dela Própria e A Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria. Vencedor do prémio Megafone e fundador do projecto Sampladélicos, Tiago Pereira assinou filmes como Porque não sou o Giacometti do século XXI (2015), Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu (2012), Sinfonia Imaterial (2011), Arritmia (2007) e 11 burros caem no estômago vazio (2006). Em 2013 foi o curador do álbum de recolhas Dêem-me duas velhinhas, eu dou-vos o universo.