Buscas na Força Aérea por suspeitas de corrupção na compra de alimentos

Suspeitas de corrupção levam 400 operacionais da PJ e Polícia Judiciária Militar a fazer buscas em instalações da Força Aérea em todo o território nacional.

Foto
Várias bases aéreas estão a ser alvo de buscas DR

Messes da Força Aérea estão nesta quinta-feira a ser alvo de buscas numa investigação por suspeitas de corrupção passiva, corrupção activa e falsificação de documentos, numa operação conjunta da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da Polícia Judiciária (PJ). A confirmação é dada pela Procuradoria-Geral da República que avança terem sido emitidos mandados de detenção.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Messes da Força Aérea estão nesta quinta-feira a ser alvo de buscas numa investigação por suspeitas de corrupção passiva, corrupção activa e falsificação de documentos, numa operação conjunta da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da Polícia Judiciária (PJ). A confirmação é dada pela Procuradoria-Geral da República que avança terem sido emitidos mandados de detenção.

A Procuradoria-Geral da República detalha que a operação Zeus inclui 80 buscas domiciliárias e 25 não domiciliárias, sobretudo a equipamentos militares na Grande Lisboa, Beja e em Leiria e envolve cerca de 400 pessoas, entre procuradores e investigadores das duas polícias judiciárias.

Em causa estará o desvio de cerca de 30% do dinheiro dos orçamentos para a gestão das messes da Força Aérea, num esquema que envolvia a aquisição real de menos bens alimentares do que os oficialmente encomendados, diz a TVI. O “lucro” que resultava era repartido entre fornecedores e militares envolvidos neste alegado caso de corrupção (entre eles, oficiais e sargentos - gerentes das messes, por exemplo). 

"Com a concordância destes intervenientes, os fornecedores de diversas empresas entregariam determinadas quantidades de alimentos, mas o valor facturado no final de cada mês seria cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade. A diferença entre o valor facturado e o dos produtos efectivamente fornecidos seria dividida pelos elementos envolvidos", explica a PGR em comunicado.

As buscas centram-se acima de tudo em bases da Força Aérea, mas estendem-se mesmo até ao Estado-Maior, em Alfragide, onde é verificada e aprovada toda a contabilidade das messes. Esta investigação já decorre pelo menos desde 2015, no seguimento de uma denúncia anónima, começou por ser conduzida pela PJM, mas dada a dimensão que o caso tomou foi necessário alargá-la e envolver também a Polícia Judiciária “civil”.

Segundo a PGR, participam na denominada Operação Zeus 27 magistrados do Ministério Público, cerca de três centenas de elementos da PJ, cerca de quatro dezenas de elementos da Polícia Judiciária Militar e 30 peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística e da Unidade de Tecnologia e Informação da PJ, num total de cerca de 400 pessoas envolvidas.

De acordo com a TVI, a investigação decorre, desde o início, com o conhecimento e a colaboração do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea.

O porta-voz da Força Aérea, coronel Rui Roque, informou que a cadeia de comando do ramo teve conhecimento da operação e que está a prestar "toda a colaboração", tal como fez "nas investigações preliminares", assegurando "toda a transparência", cita a Lusa.

A mesma fonte precisa que as buscas, desencadeadas pelas 10h, decorrem em "dez unidades" da Força Aérea no território continental, estando excluídas as três estações de radar do continente e o aeródromo número 1, em Ovar.

Até às 10h30, Rui Roque afirmava não ter conhecimento de qualquer detenção de militares no âmbito desta operação.