TAP volta a perder quota de mercado no Porto para as low cost

Ryanair e Easyjet continuam a liderar no aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde têm sido apoiadas com incentivos à criação de rotas.

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TAP também perdeu quota em Lisboa, Faro e Funchal Daniel Rocha

Os números apanham apenas o início da nova ponte aérea da TAP entre Lisboa e Porto, mas são os primeiros a mostrar os reflexos da estratégia da companhia, que em simultâneo encerrou rotas e frequências no aeroporto Francisco Sá Carneiro, com direito a uma intensa polémica. No primeiro trimestre, a transportadora movimentou 18% dos passageiros nesta infra-estrutura, o que significou um recuou de seis pontos percentuais face aos resultados de 2015, acompanhando uma tendência de queda que se tem verificado nos últimos anos, revela o boletim publicado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

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Os números apanham apenas o início da nova ponte aérea da TAP entre Lisboa e Porto, mas são os primeiros a mostrar os reflexos da estratégia da companhia, que em simultâneo encerrou rotas e frequências no aeroporto Francisco Sá Carneiro, com direito a uma intensa polémica. No primeiro trimestre, a transportadora movimentou 18% dos passageiros nesta infra-estrutura, o que significou um recuou de seis pontos percentuais face aos resultados de 2015, acompanhando uma tendência de queda que se tem verificado nos últimos anos, revela o boletim publicado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Ao mesmo tempo que a TAP perdeu terreno, os seus maiores concorrentes no Porto, as companhias low cost, continuaram a ganhar passageiros: apesar de a Ryanair ter mantido a quota de 40% dos clientes transportados entre Janeiro e Março, a Easyjet registou um aumento (de 8% para 14%). Em termos de movimentos, verificou-se a mesma tendência, com a companhia de aviação nacional a descer três pontos percentuais, para 32%, e as suas rivais a subirem. A Ryanair de 26% para 27% e a Easyjet de 5% para 9%.

A nova ponte aérea da TAP entre Lisboa e Porto, com voos praticamente de hora em hora, foi lançada a 27 de Março. Ao mesmo tempo, a transportadora cancelou voos e rotas, argumentando que eram deficitários, com base em cálculos que apontavam para prejuízos superiores a oito milhões de euros. A decisão foi fortemente contestada, especialmente por Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto.

Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial da TAP referiu que “possa haver alguma quebra no primeiro trimestre pois a oferta global no aeroporto cresceu”, o que não aconteceu com a companhia. No entanto, frisou que o lançamento da ponte aérea e a suspensão das rotas “já só aconteceu à entrada do segundo trimestre”. Apesar de o boletim agora divulgado ainda incluir a data em que as duas decisões entraram em vigor, 27 de Março, os próximos números serão ainda mais importantes.

A primazia das low cost no aeroporto Francisco Sá Carneiro não vem de agora. Desde que abriram bases no Porto, a Ryanair e Easyjet têm vindo a alargar significativamente a oferta a partir da cidade, sustentadas em parte por programas de incentivos à abertura de novas rotas. Benefícios esses a que a TAP quase não teve direito, por se dedicar sobretudo ao reforço e não à abertura de frequências, independentemente da relevância dos destinos que cobre.

O PÚBLICO já tentou obter junto do Turismo de Portugal e da ANA, a gestora da infra-estrutura aeroportuária, os valores cedidos a todas as companhias, mas as duas entidades recusaram divulgá-los. O montante global rondará os 20 milhões de euros, com a maior fatia a ser entregue a low cost.

A TAP, cujo novo contrato de venda entre o Estado e a Atlantic Gateway foi assinado no passado sábado, já fez saber que tenciona rever a sua oferta, procurando soluções mais competitivas que possam passar por tarifas mais flexíveis ou condições diferenciadoras de voo para os passageiros. As medidas estão em estudo, como a empresa tem referido. O Estado, que passará em breve a deter 50% do capital da companhia, também terá uma palavra a dizer nesta estratégia.

O boletim da ANAC mostra que também em Lisboa a transportadora perdeu quota de mercado, passando de 53% para 48% entre o primeiro trimestre de 2015 e de 2016. Em Faro, onde já há muitos anos tem uma posição residual, caiu ainda mais: de 8% para apenas 2%. E, no Funchal, a queda ainda foi mais pronunciada, ao passar de 31% para 18%. Por fim, em Ponta Delgada, os valores mantiveram-se praticamente inalterados.