Provedor de Justiça denuncia condições na prisão de Vale de Judeus

Faria Costa revelou estar indignado com o que viu.

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Guardas prisionais sem condições e presos com pouca comida Adriano Miranda

O provedor de Justiça revelou estar indignado com o estado de degradação das torres de vigia da prisão de Vale de Judeus, em Alcoentre, e diz que "a crise económico-financeira não pode justificar tudo".

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O provedor de Justiça revelou estar indignado com o estado de degradação das torres de vigia da prisão de Vale de Judeus, em Alcoentre, e diz que "a crise económico-financeira não pode justificar tudo".

Num relatório divulgado, nesta quarta-feira, sobre uma visita que fez à prisão de Vale de Judeus, em Fevereiro passado, José de Faria Costa afirma que são "demasiado graves" algumas coisas que viu e acrescenta que não pode deixar de se indignar "com a inércia demonstrada perante o estado decrépito das torres de vigia", que pode "no limite, comprometer a vida de quem lá trabalha".

"É urgente tomar uma atitude. É urgente recuperar ou, até, reconstruir aqueles equipamentos", alerta o provedor, que dá conta de torres em risco de desabar, degradadas, sem condições de higiene, com buracos no telhado e no chão, e onde em dias de temperaturas extremas "o frio e o calor atingem o limiar do insuportável”.

E é com os guardas prisionais que o provedor se preocupa. "As suas condições salariais não são, como se sabe, as ideais e a sua progressão na carreira está praticamente impossibilitada. É, pois, grande a desmotivação destes homens e destas mulheres que, dias e noites, asseguram a pacífica convivência entre os muros de um estabelecimento prisional. Proporcionemos-lhes, ao menos, alguma formação que melhor os capacite a lidar com as situações de conflito que sempre existirão naquele meio, mormente com as situações de conflito psicológico", escreve.

No documento, o provedor insurge-se também contra o tipo de refeições servidos em Vale de Judeus, no seguimento do que observou, afirmando que os presos têm direito a uma refeição "suficiente e minimamente nutritiva", e dizendo que o que viu foi pouca comida, e com excesso de gordura.

"Questiono-me se a generalizada redução que se operou nas capitações dos alimentos, que são disponibilizados aos reclusos, não deve ser revista, tendo em vista o seu aumento", escreve José de Faria Costa, lembrando que, "não raras vezes", o descontentamento com a comida motiva contestações nas prisões.