A cada hora e meia morre uma pessoa com pneumonia no hospital

Doença afecta cada vez mais portugueses e custa ao Estado 218 mil euros por dia.

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A doença tem custos directos para o Estado de 80 milhões de euros por ano Miguel Madeira (arquivo)

A cada hora e meia, uma pessoa morre nos hospitais portugueses com pneumonia, doença que afecta cada vez mais pessoas e que custa ao Estado 218 mil euros por dia, revelou nesta quinta-feira Filipe Froes, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

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A cada hora e meia, uma pessoa morre nos hospitais portugueses com pneumonia, doença que afecta cada vez mais pessoas e que custa ao Estado 218 mil euros por dia, revelou nesta quinta-feira Filipe Froes, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Num encontro com jornalistas destinado a divulgar alguns números da pneumonia em Portugal, como investimento e incidência, o médico pneumologista no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, indicou que por dia são internadas 81 pessoas por pneumonia em Portugal Continental.

Destes internados, 16 morrerão, o que representa um óbito a cada 90 minutos, indicou o especialista baseando-se num levantamento feito ao longo de dez anos (entre 2000 e 2009) que espelha a tendência actual, já que "há cada vez mais internamentos e a mortalidade não diminuiu".

"Esta tendência revela que a incidência da pneumonia aumenta, porque cada vez vivemos mais e com doenças crónicas que predispõem para a pneumonia", disse, acrescentando que "a pneumonia vai continuar a ser uma das principais causas de internamento" no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Esta doença tem custos directos para o Estado de 80 milhões de euros por ano, o que significa que por dia se gastam 218 mil euros apenas com tratamento e internamento, já que estão excluídos os custos indirectos, como o absentismo laboral.

"Em cada quatro dias e meio gastamos um milhão de euros", sublinhou Filipe Froes, considerando urgente reduzir estes números através de uma reforço da aposta no tratamento, mas sobretudo na prevenção.

A vacinação, o antitabagismo, a alimentação saudável, a actividade física e uma boa higiene oral são fundamentais para reduzir a incidência das pneumonias e das outras doenças crónicas, designadamente aquelas que muitas vezes resultam em pneumonia.

Os dados estatísticos relativos a este período de dez anos demonstram ainda que os doentes que acabaram por morrer tinham, maioritariamente, mais de 65 anos e que quem morre menos são as pessoas de 29 anos.

A título de curiosidade, o médico, consultor da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para as doenças respiratórias, revelou ainda que nos hospitais a mortalidade aumenta à sexta-feira e durante o fim-de-semana e que o dia em que se morre menos é a quarta-feira.

"Há uma certa tendência para ir morrer aos hospitais, uma hospitalização da morte, são as chamadas pneumonias de fim de vida", disse, considerando que uma melhoria dos cuidados continuados e domiciliários em Portugal poderá conduzir a uma diminuição desta realidade, à semelhança do que já acontece no norte da Europa, onde são "criadas condições para as pessoas morrerem em casa".

O médico considera que este tipo de apoio poderá também contribuir para uma melhoria do tratamento e da prevenção da pneumonia.

Numa perspectiva de derrubar mitos sobre esta doença, Filipe Froes disse que, apesar de haver mais internamentos no Inverno, a pneumonia não é uma doença sazonal, tanto que é no Verão que mata mais.

"Em termos proporcionais, a taxa de mortalidade é maior no Verão. A conclusão é a de que se morre mais de pneumonias mais graves: há menos pneumonia, mas esta é mais grave, por causa dos agentes", afirmou.

Há cerca de um mês foi divulgado o relatório anual do Programa Nacional das Doenças Respiratórias da DGS, que já apontava para a alta taxa de mortalidade de pneumonia, que surgia como a principal causa de mortalidade respiratória.

No entanto, Filipe Froes sentiu necessidade de apresentar estes números dissecados do global, por considerar que num relatório anual das doenças respiratórias é impossível haver detalhe sobre cada patologia.

Além disso, dados de dez anos mostram uma evolução e apontam para uma tendência, pois incluem na contabilização "anos muito bons" e "anos muito maus", como foi 2009 (o da gripe A) ou, como se "detectou recentemente", 2004 e 2005.