“Tenho dois adversários: a abstenção e Marcelo Rebelo de Sousa”

Sampaio da Nóvoa faz campanha em seis distritos, em dois dias.

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Na creche da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira de Azeméis há uma “árvore dos desejos”, um placard com um triângulo de folhas verdes a imitar a copa de um pinheiro, onde as crianças e os pais dizem, numa palavra, o que os faria felizes. Uma delas repete um dos desejos expressos pelo candidato presidencial Sampaio da Nóvoa que atravessa, demoradamente, o edifício inaugurado em 1999 por Ferro Rodrigues: Igualdade.

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Na creche da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira de Azeméis há uma “árvore dos desejos”, um placard com um triângulo de folhas verdes a imitar a copa de um pinheiro, onde as crianças e os pais dizem, numa palavra, o que os faria felizes. Uma delas repete um dos desejos expressos pelo candidato presidencial Sampaio da Nóvoa que atravessa, demoradamente, o edifício inaugurado em 1999 por Ferro Rodrigues: Igualdade.

O candidato cruza-se com a turma do pequeno Danilo, quando as crianças sobem a escada, em fila indiana, para o refeitórios onde os espera um “arroz de pescada malandrinho com cenoura”. Talvez por isso, ou porque as escadas estão cheias de adultos desconhecidos (uns vestem fato e gravata, outros carregam máquinas fotográficas e de filmar), não há grande conversa entre os eventuais futuros eleitores e o candidato. Mas na parede do corredor das salas é possível saber que o que faria Danilo feliz era receber como prenda “aquelas duas coisas para enfiar na pistola": "Aquilo que eu já vi na televisão”. A sua colega Maria Neves é mais concreta: “Uma viola, um piano, um tambor.”    

Na noite anterior, em Viseu, debaixo de um dilúvio, Nóvoa explicara a ligação entre os desejos das crianças e a sua candidatura. O que o fez avançar, revelou, foi a necessidade de contrariar “a ideia de que os nossos filhos vão viver inevitavelmente pior que nós”. “Vim em nome de um país futuro”, disse.

Na manhã desta segunda-feira, antes de visitar a Misericórdia de Oliveira de Azeméis, o candidato conheceu o país presente, na feira de Espinho. Queixas e mais queixas, numa enorme venda semanal reduzida a uma pálida expressão do que já foi. “Estamos todos a ir ao fundo de um poço”, queixa-se uma das vendedoras ao candidato, que a ouve, acenando com a cabeça e prometendo fazer “tudo o que puder”.

A feira é um teste, difícil. Se, por um lado, Nóvoa já não passa despercebido, e quase toda a gente o identifica, por outro lado essa notoriedade (desejada pela candidatura) cola-lhe o rótulo óbvio: “político”. “Só se lembram de vir à feira nas eleições”; “eu não vou votar em ninguém”.

Por isso, o candidato elege a abstenção como o seu primeiro “adversário” nestas eleições. “Tenho dois adversários: a abstenção e Marcelo Rebelo de Sousa”, afirma, aos jornalistas. Fazendo o balanço da manhã, em terras do distrito de Aveiro, Nóvoa elogiou “a enorme generosidade das pessoas” que encontrou e a “grande mobilização em torno da candidatura”. Isso, acredita, “traduzir-se-á certamente em votos”, no dia 24.

Para Nóvoa, a “proximidade” é uma imagem que quer deixar junto dos eleitores. Porque a um candidato, defende, “não basta falar, precisa de ouvir as pessoas”.

Ao segundo dia de campanha oficial, Nóvoa completa um percurso em seis distritos. O domingo começou em Seia, na Guarda, depois continuou na capital do distrito, rumou a Mangualde, prosseguiu em Viseu e pernoitou em Espinho, já no distrito de Aveiro. Esta segunda-feira começou na feira de Espinho, continuou em Oliveira de Azeméis, passou pelas festas de São Gonçalinho, em Aveiro, de onde rumará, ao fim do dia, a Coimbra. Mas o dia só terminará na Covilhã, distrito de Castelo Branco.