No coração de Paris, uma homenagem solene às vítimas dos atentados

François Hollande destapou neste domingo uma placa na praça da República em homenagem às vítimas do terrorismo, fechando um ano negro para a França.

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Um ano após os primeiros atentados jihadistas que ocorreram em Paris, em Janeiro de 2015, a França prestou neste domingo homenagem às 149 pessoas mortas pelo terrorismo na praça da República. O início da cerimónia, organizada sob a mais alta segurança, foi feito pelo Presidente francês François Hollande e a presidente da Câmara de Paris Anne Hidalgo que destaparam a placa de homenagem às vítimas, colocada junto de um carvalho plantado na praça para a ocasião.

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Um ano após os primeiros atentados jihadistas que ocorreram em Paris, em Janeiro de 2015, a França prestou neste domingo homenagem às 149 pessoas mortas pelo terrorismo na praça da República. O início da cerimónia, organizada sob a mais alta segurança, foi feito pelo Presidente francês François Hollande e a presidente da Câmara de Paris Anne Hidalgo que destaparam a placa de homenagem às vítimas, colocada junto de um carvalho plantado na praça para a ocasião.

A praça, vigiada por atiradores nos telhados e com os acessos estritamente controlados, estava longe de estar cheia para a homenagem que concluiu uma semana de comemorações. O pequeno número de pessoas foi um contraste gritante com as multidões que invadiram este lugar, símbolo da capital, nos dias que se seguiram aos ataques. Foi da praça que partiu a “marcha republicana” contra o terrorismo a 11 de Janeiro de 2015, que reuniu 1,5 milhões de pessoas e cerca de 50 dirigentes estrangeiros.

A homenagem quis-se popular, o cantor francês Johnny Hallyday, vestido todo de negro, interpretou a canção Um domingo de Janeiro, que serviu como uma lembrança da mobilização formidável que aconteceu há um ano. O coro do exército francês cantou de seguida Os nomes de Paris de Jacques Brel antes da leitura da alocução dita pelo escritor francês Victor Hugo, do século XIX, quando voltou do exílio a 5 de Setembro de 1870. “Salvar Paris, mais do que salvar a França, é salvar o mundo. Paris é o centro da humanidade. Paris é a cidade sagrada. Quem ataca Paris ataca todo o género humano”, disse.

A escolha de Johnny Hallyday foi alvo de alguma crítica pelos familiares dos desenhadores do jornal Charlie Hebdo que costumavam gozar com o cantor.      

Uma enorme bandeira que continha a divisa da cidade de Paris, Fluctuat nec mergitur (as ondas batem-lhe mas não se afunda) abanava na praça. “É importante que venhamos dizer ‘não temos medo, a vida continua mas não nos esquecemos’”, disse Maissara Benhassani, uma parisiense que estava presente na cerimónia.

França todos os dias ameaçada
A cerimónia vem fechar um ano negro para a França, depois de ter sido atacada fortemente a 13 de Novembro em Paris nos atentados feitos por jihadistas que foram os piores da sua história (130 mortos e centenas de feridos), reivindicados pelo grupo do Estado Islâmico.

Os ataques deixaram um rasto. Depois de Janeiro, o exército patrulha as ruas de Paris, guarda as sinagogas, as escolas judaicas e as mesquitas de todo o país. Após Novembro, o estado de emergência foi decretado e as perseguições e detenções foram múltiplas.

“A França mudou de alma. Depois deste teste revelou-se a si própria, algumas vezes para o pior, muitas vezes para o melhor”, escreveu neste sábado o diário Libération.

Mais de quatro milhões de franceses manifestaram-se em todo o país a 11 de Janeiro de 2015, algo jamais visto depois da libertação da França dos nazis. E milhares de jovens voluntários apresentaram-se para integrar os bombeiros, a Cruz Vermelha, o exército e a polícia.

Mas o medo também se instalou e fez com que o eleitorado da extrema-direita aumentasse. A inquietação vive-se no seio da comunidade judaica: a emigração para Israel bateu um recorde em 2015 com 7900 partidas. O mal-estar é profundo entre os muçulmanos franceses, devido a um agravamento dos actos islamofóbicos e por se sentirem estigmatizados.

Para defender um islão de “harmonia”, o Conselho francês do culto muçulmano organizou este fim-de-semana uma operação de portas abertas em centenas de mesquitas. Este domingo, François Hollande fez uma visita surpresa à Grande Mesquita de Paris.

Os atentados fizeram com que o Presidente socialista adoptasse uma postura mais securitária, apoiado pela opinião pública, mas criticado pelos membros da sua maioria. François Hollande foi criticado pelo plano de tirar a nacionalidade francesa às pessoas condenadas pelo terrorismo com dupla nacionalidade.

Muitos jovens franceses partiram para a guerra na Síria, juntando-se ao Estado Islâmico, e lembrando à França que continua ameaçada.

Na quinta-feira, o primeiro aniversário do atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo, um homem armado com uma faca entrou numa esquadra em Paris e gritou Allahu Akbar (“Deus é grande”, em árabe), antes de ser morto pela polícia.