Professor atacado em escola de Paris por homem que gritava pelo Estado Islâmico

Órgão do grupo jihadista em língua francesa apelou recentemente a ataques contra professores, os “inimigos de Alá”. Homem está fora de perigo e polícia procura agressor.

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Polícia patrulha a creche de Jean-Perrin, em Aubervilliers, depois do ataque. Jacques Demarthon/AFP

Um homem de face coberta entrou nesta segunda-feira numa creche dos subúrbios de Paris e atacou um professor numa sala de aula com uma tesoura e um x-acto. Fê-lo em nome do grupo Estado Islâmico. “É o Daesh [Estado Islâmico], é um alerta”, gritou, segundo disse uma testemunha à polícia.

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Um homem de face coberta entrou nesta segunda-feira numa creche dos subúrbios de Paris e atacou um professor numa sala de aula com uma tesoura e um x-acto. Fê-lo em nome do grupo Estado Islâmico. “É o Daesh [Estado Islâmico], é um alerta”, gritou, segundo disse uma testemunha à polícia.

As autoridades francesas antiterrorismo estão a investigar o incidente e procuram o suspeito, que fugiu a pé. O docente foi atingido na garganta e num lado do torso, mas não corre perigo de vida.

O ataque aconteceu nas primeiras horas da manhã, na creche Jean-Perrin, em Aubervilliers – comuna dos subúrbios de Paris que integra Saint-Denis, onde o cérebro dos atentados de 13 de Novembro se escondeu para preparar um novo ataque a acabou encurralado pela polícia.

De acordo com uma fonte policial à AFP, o homem chegou à creche desarmado, com botas de estilo militar e luvas. Encontrou o professor a sós numa sala, onde preparava as aulas do dia, e usou o material escolar que lá encontrou para o atacar. Não tinham ainda chegado crianças ao edifício, mas já lá estavam funcionários. As aulas desta segunda-feira foram canceladas.

A França está em estado de emergência desde a noite dos atentados de Paris, no mês passado, o que significa medidas de segurança reforçadas em locais públicos, como escolas, zonas de grande circulação e edifícios de Governo, por exemplo. No caso das escolas, segundo escreve a AFP, a polícia aumentou patrulhas, proíbe que os visitantes “se demorem” e que se estacionem carros em frente aos edifícios.

Na última edição da revista em língua francesa do Estado Islâmico, a Dar-al-Islam, o grupo jihadista faz propaganda contra os funcionários de Educação, que diz serem “inimigos de Alá” por “ensinarem o laicismo”, e estão em “guerra aberta contra a família muçulmana”.

A ministra francesa da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, afirmou nesta segunda-feira que o ataque em Aubervilliers é “inaceitável” e um “acto de grande gravidade”. Segundo a BBC, a governante socialista disse na semana passada que as escolas devem estar no topo das preocupações de segurança a locais públicos.