Administrador da Octapharma também é arguido no caso dos vistos gold

Lalanda de Castro já estava indiciado por crimes na Operação Marquês, que envolve o seu antigo colaborador José Sócrates

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daniel rocha

O empresário Paulo Lalanda de Castro foi constituído arguido no âmbito do processo dos vistos goldA Procuradoria-Geral da República confirma o facto, sem, porém, revelar de que crimes é suspeito o administrador da empresa farmacêutica Octapharma. Na edição desta terça-feira, o Correio da Manhã avançou que o ex-patrão de José Sócrates -- que também é arguido na Operação Marquês, por indícios de fraude fiscal e branqueamento de capitais -- terá recebido um milhão de euros de reembolso de IVA de forma ilegal, graças a um documento falso que lhe permitiu um perdão fiscal.

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O empresário Paulo Lalanda de Castro foi constituído arguido no âmbito do processo dos vistos goldA Procuradoria-Geral da República confirma o facto, sem, porém, revelar de que crimes é suspeito o administrador da empresa farmacêutica Octapharma. Na edição desta terça-feira, o Correio da Manhã avançou que o ex-patrão de José Sócrates -- que também é arguido na Operação Marquês, por indícios de fraude fiscal e branqueamento de capitais -- terá recebido um milhão de euros de reembolso de IVA de forma ilegal, graças a um documento falso que lhe permitiu um perdão fiscal.

Segundo o jornal, o alegado envolvimento de Lalanda de Castro no âmbito do processo de atribuição dos vistos dourados deu-se através da empresa Intelligent Life Solutions - Produtos e Soluções na área da Saúde SA, que terá reclamado a prestação de serviços médicos a um grupo de cidadãos líbios que, por serem supostamente refugiados de guerra, estariam isentos do pagamento do imposto. Esta empresa é detida por uma sociedade cuja empresa-mãe tem como administrador único Jaime Couto Alves Gomes, que foi sócio, numa outra firma, a JMF Projects and Business, do ex-ministro Miguel Macedo e de Marques Mendes, bem como da filha do antigo presidente do Instituto de Registos e Notariado. Miguel Macedo foi sócio da JMF - que tem como objecto social a consultoria e gestão de empresas, a importação e exportação de bens e serviços, entre outras actividades - entre 2009 e 2011, tendo cedido a sua quota a Jaime Gomes no dia a seguir a tomar posse como ministro da Administração Interna.

Todos são agora arguidos na chamada Operação Labirinto, que está relacionada com a aquisição dos vistos gold e investiga indícios de corrupção activa e passiva, recebimento indevido de vantagem, prevaricação, peculato de uso, abuso de poder e tráfico de influências.

Há praticamente um ano que rebentou o escândalo dos vistos dourados, envolvendo vários altos quadros da administração pública, incluindo o então director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Jarmela Palos, e levando à demissão do ministro da Administração Interna. Porém, apenas em Setembro passado, dez meses depois das primeiras detenções deste caso, Miguel Macedo foi constituído arguido, após ter sido inquirido pelo Ministério Público. O Ministério Público prepara-se agora para deduzir uma acusação neste processo, uma vez que está a chegar ao fim o prazo de um ano que tinha para o fazer. Neste caso existem já 13 arguidos. com Lusa