Peixeirada em Setúbal

O problema da rua como barómetro eleitoral é que só é mensurável na presença das câmaras. Com o grosso dos jornalistas a acompanhar Passos, Portas e Costa no Norte, as arruadas a Sul poderiam ter-se tornado este sábado num ponto cego. Valeu-nos o cidadão tornado repórter, com todas as suas fragilidades, e as redes sociais como meio de difusão sem filtro. E o que o vídeo viral deste sábado nos mostrou é que o optimismo que tem reinado na coligação nos últimos dias não basta para conquistar terrenos historicamente hostis.

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O problema da rua como barómetro eleitoral é que só é mensurável na presença das câmaras. Com o grosso dos jornalistas a acompanhar Passos, Portas e Costa no Norte, as arruadas a Sul poderiam ter-se tornado este sábado num ponto cego. Valeu-nos o cidadão tornado repórter, com todas as suas fragilidades, e as redes sociais como meio de difusão sem filtro. E o que o vídeo viral deste sábado nos mostrou é que o optimismo que tem reinado na coligação nos últimos dias não basta para conquistar terrenos historicamente hostis.

Em Setúbal, a cidade onde até os gatos são vermelhos, a cabeça-de-lista da coligação Maria Luís Albuquerque foi neste sábado recebida com apupos e insultos no mercado do Livramento. “Ladrões”, “gatunos” e algum contacto físico, ainda que sem a violência dos incidentes de dia 12 no mercado de Braga ou de sexta-feira em Espinho. A conturbada acção de campanha foi registada num vídeo posteriormente partilhado no Facebook pelo consultor de marketing Bruno Carapinha, afecto ao Partido Socialista (sem relação aparente com o homónimo candidato do Livre). Horas após a publicação, e antes da divulgação de qualquer notícia sobre o incidente, já dezenas de milhares de pessoas tinham visualizado as imagens. Nos comentários, dirigentes socialistas locais distanciavam-se do episódio, enquanto militantes da coligação condenavam os actos.

Na entrada para a semana decisiva da campanha eleitoral, e depois de acções de campanha dos dois maiores partidos no interior, os incidentes no Livramento mostram que ainda há no litoral um país em disputa. Se é que a rua tem o peso que lhe é dado.