Açores com aumento de 26,6% nas dormidas

Liberalização das ligações aéreas com o continente ajuda a explicar subida em Maio. Restante país também cresce, mas a ritmo inferior.

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Patrões e sindicatos dos Açores defendem a criação de “emprego sustentável” Paulo Ricca

Os dados da actividade turística divulgados nesta quarta-feira pelo INE mostram que o arquipélago foi a região que mais cresceu no mês de Maio. Verifica-se uma subida no número de dormidas em todas as zonas do país, mas é nos Açores onde o aumento é mais acentuado.

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Os dados da actividade turística divulgados nesta quarta-feira pelo INE mostram que o arquipélago foi a região que mais cresceu no mês de Maio. Verifica-se uma subida no número de dormidas em todas as zonas do país, mas é nos Açores onde o aumento é mais acentuado.

A contribuir para o aumento exponencial de vários indicadores do turismo no arquipélago está a liberalização das ligações com o continente. Anunciada em Julho de 2014, a medida entrou em vigor a 29 de Março, permitindo a qualquer companhia (incluindo as low-cost) efectuar as ligações entre Lisboa e Porto e as ilhas. Até então, as rotas eram apenas efectuadas pelas companhias TAP e SATA.

Com 70,7 mil dormidas, os cidadãos estrangeiros continuam a representar a maior fatia deste indicador, o maior aumento em termos percentuais verifica-se nos turistas nacionais. Houve mais 50,6% de portugueses a pernoitar nos Açores que em igual período do ano passado, sendo que o número de estrangeiros também cresceu, embora mais lentamente (12,9%).

A nova realidade permitiu ao sector turístico açoriano alcançar um aumento de receitas a um ritmo superior ao do resto do país, com proveitos totais a atingir 5,2 milhões de euros. Isto significa uma subida de 24,5% em variação homóloga. Se se contabilizar apenas os proveitos obtidos com o alojamento, o crescimento deste indicador em relação a Maio de 2014 é ainda mais elevado, fixando-se nos 28%.

País também cresce, mas a ritmo inferior
Exceptuando Açores, o Norte foi a região que mais viu crescer as dormidas, com uma variação homóloga positiva de 14,9%. No outro extremo da tabela, a região autónoma da Madeira – a terceira maior do país em termos de número de dormidas – registou a evolução mais lenta, com mais 0,8% pessoas a pernoitar em alojamentos em Maio de 2015 que no mesmo mês do ano anterior. Ao atingir 4,6 milhões de dormidas, a média de crescimento nacional fixou-se em 5,8%.

Em Abril, Algarve e Alentejo tinham sofrido quebras de 6,9% e 10,7% mas voltaram ao terreno positivo em Maio, com aumentos de 2,6% e 1,6%, respectivamente. Algarve (34%) e Lisboa (26,2%) continuam a liderar os destinos turísticos.

Ao nível do mercado interno, a região Centro registou um aumento de 14,6% na procura, apenas ultrapassada pelos Açores. No entanto, Lisboa (23,4%) e região Norte (21,4%) continuam a posicionar-se como os principais destinos dos portugueses. No sentido inverso, houve menos 16,7% turistas nacionais a procurar a Madeira e menos 2,9% o Algarve. Apesar disso, a quebra foi compensada pela procura de turistas estrangeiros, o que, no conjunto, acabou por resultar numa variação positiva nestas regiões.

Com 1,35 milhões de dormidas em Maio, o Algarve continua a recolher as preferências dos cidadãos estrangeiros para passar férias em Portugal. Com números inferiores seguem-se Lisboa (952 mil dormidas) e Madeira (545 mil) como destinos mais populares. Com um decréscimo de 14,2%, apenas no Alentejo se verifica a redução da procura por parte dos turistas estrangeiros.

Ao atingir 229,5 milhões de euros, os proveitos totais continuam a crescer em variação homóloga, mas de forma menos acentuada. Se em Abril cresceram 7,8%, em Maio abrandou para 6,5%. A seguir aos Açores, as regiões que mais se desenvolveram a nível de proveitos foram Norte (17,6%) e Centro (16,2%), com taxas bem superiores à média nacional de 6,5%.

Mais uma vez, é nos Açores que se verifica o maior impacto deste aumento, seguindo-se-lhe a região Norte, que cresceu 17,6%, e Centro, com uma subida de 16,2%. De registar ainda a travagem de Lisboa, que apenas obteve um aumento dos proveitos totais de 1,1%, face aos 10,5% de Abril.

Também se verifica uma desaceleração nas receitas relacionadas com a hotelaria. Esta vertente tinha crescido 10,9% em Abril e, em Maio, passou para uma subida 7% em termos homólogos. Os proveitos de aposento de todo o país do mês de Maio fixaram-se em 160,8 milhões de euros.