Nordeste transmontano classificado como reserva da biosfera

Área transfronteiriça entre Bragança, Zamora e Salamanca reconhecida com o selo ambiental da UNESCO.

Foto
O Parque Natural do Douro Internacional faz parte na nova reserva de biosfera classificada pela UNESCO BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA

São cerca de 11.000 quilómetros quadrados, incluindo do lado português a Terra Fria e Terra Quente transmontanas e o Douro Superior. A área passa agora a ser designada como Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

São cerca de 11.000 quilómetros quadrados, incluindo do lado português a Terra Fria e Terra Quente transmontanas e o Douro Superior. A área passa agora a ser designada como Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica.

A candidatura foi apresentada à UNESCO por uma organização de cooperação regional entre Portugal e Espanha, o ZASNET – sigla referente a Zamora, Salamanca e Nordeste Transmontano. Era uma entre mais de duas dezenas de candidaturas analisadas pelo Comité de Coordenação Internacional do programa da UNESCO para as reservas da biosfera, que está reunido em Paris até ao próximo dia 12.

Criadas em 1971, as reservas da biosfera são zonas sujeitas a uma protecção flexível, onde se combinam a conservação da natureza, a investigação científica e o desenvolvimento sustentável. São compostas por três áreas: um núcleo de ecossistemas estritamente protegidos, zonas tampão com actividades compatíveis com a conservação da natureza e uma área de transição, onde se concentra a maior parte da actividade económica.

Dos 1.132.606 hectares da reserva da Meseta Ibérica, há 107.934 hectares em áreas protegidas, 636.654 hectares de zona tampão e 389.018 hectares de zona de transição, segundo números fornecidos pela UNESCO. Em toda a região vivem cerca de 305 mil habitantes. Há várias espécies protegidas, como a cegonha negra, o abutre do Egipto, a águia de Bonelli, o bufo real, a lontra e o lobo ibérico.

"Com esta designação pretende-se potenciar o turismo, aliando a marca UNESCO à conservação da natureza, aos produtos regionais certificados e à criação de novas oportunidades de emprego", refere o ZASNET, num comunicado citado pela agência Lusa.

A candidatura envolveu quatro anos de preparação e o ZASNET espera que o reconhecimento da área como reserva da biosfera venha agora potenciar sinergias para o desenvolvimento sustentável. “Só a partir desta aprovação é que irá começar um trabalho efectivo”, acrescenta o comunicado.

A Meseta Ibérica soma-se a outras oito reservas da biosfera em Portugal. A primeira a ser classificada, em 1981, foi a do Paúl do Boquilobo. Seguiram-se as ilhas do Corvo e da Graciosa, em 2007. Em 2009 foram classificadas a ilha das Flores e as serras do Gerês/Xurés – também uma reserva transfronteiriça. E em 2011, foi vez das Berlengas e de Santana, na Madeira.

O Tejo internacional também é candidato ao selo ambiental da UNESCO. Mas, segundo os documentos da reunião de Paris, apenas Espanha apresentou a sua parte da candidatura, aguardando-se o mesmo do lado português. A UNESCO espera que o processo seja completado por Portugal até 30 de Setembro.

Desde 1971, a UNESCO já classificou 651 reservas da biosfera, em 120 países diferentes. Quase a metade (297) está na Europa e na América do Norte.