Primeiro turno da greve dos enfermeiros com adesão de 80%, diz sindicato

Paralisação que começou nesta quinta e prolonga-se até sexta-feira. Só estão assegurados os serviços mínimos nos centros de saúde e hospitais.

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A última greve só de enfermeiros aconteceu em Novembro de 2014 Nuno Ferreira Santos

José Carlos Martins, citado pela Lusa, considerou que os enfermeiros não entendem a razão de a sua classe ser aquela que menos ganha, de acordo com dados do Ministério das Finanças, que indicam que os profissionais de enfermagem são os licenciados da administração pública que "que menos ganham quando comparados com professores e outros técnicos superiores de saúde".

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José Carlos Martins, citado pela Lusa, considerou que os enfermeiros não entendem a razão de a sua classe ser aquela que menos ganha, de acordo com dados do Ministério das Finanças, que indicam que os profissionais de enfermagem são os licenciados da administração pública que "que menos ganham quando comparados com professores e outros técnicos superiores de saúde".

"Ninguém compreende por que é que os enfermeiros especialistas, que investem um ano e meio em formação, chegam às instituições, melhoram a qualidade dos cuidados, reduzem custos às instituições e ganham a mesmíssima coisa", salientou à Lusa o sindicalista. O líder do SEP exigiu do Ministério da Saúde "uma valorização da carreira dos enfermeiros e das condições do trabalho", considerando estar demonstrado que, havendo mais enfermeiros e melhores condições de trabalho, estes "salvam mais vidas, reduzem as infecções hospitalares em 30 % e o número de dias de internamento".

José Carlos Martins defendeu ainda que se os centros de saúde tiverem mais enfermeiros, organizados por famílias, serão reduzidos "milhares de internamentos e idas às urgências", além de se melhorar a qualidade de vida das pessoas.

A greve, que começou nesta quinta-feira e que termina na sexta-feira, foi convocada pelo SEP no início da semana. Em causa está a “necessidade de valorização económica da carreira de enfermagem”, adiantou ao PÚBLICO o presidente do SEP aquando do anúncio do protesto, salientando que “as condições de trabalho têm vindo a degradar-se” ainda mais nos últimos meses.

José Carlos Martins explicou que a decisão de avançarem para a primeira greve sectorial do ano acontece depois de terem apresentado ao Ministério da Saúde um conjunto de medidas em Abril e que “não mereceram qualquer contraproposta” no último encontro, que decorreu a 13 de Maio. O sindicalista especificou que o ministério de Paulo Macedo “apenas se mostrou disponível para negociar o Acordo Colectivo de Trabalho”, mas o enfermeiro assegura que tal deixa de fora o mais fundamental: carreiras e salários.

Para José Carlos Martins, a contratação desde o início do ano de “mais 700 enfermeiros é manifestamente insuficiente”, ainda que positiva, justificando que continuam a sair muitos profissionais por reformas antecipadas e emigração e que há também casos de licenças de maternidade e baixas e que as pessoas não são prontamente substituídas.

Ainda sobre os concursos, o representante dos enfermeiros destacou os “grandes atrasos” na admissão dos profissionais, numa referência ao procedimento que decorre para admitir mais 1000 profissionais de enfermagem para os cuidados de saúde primários. O SEP estima que faltem 25 mil enfermeiros em todo o país. José Carlos Martins alertou ainda para os “custos elevados” da “não valorização dos enfermeiros”, reforçando que os “profissionais exaustos” prestam um pior serviço e correm um maior risco de erro.

A última greve convocada pelo SEP aconteceu em Novembro de 2014 e contou com uma adesão na ordem dos 75%. A paralisação ficou marcada por trocas de críticas entre o SEP e o Ministério da Saúde, com a tutela a acusar o sindicado de “irresponsabilidade” por ter mantido o protesto que decorreu em pleno surto de Legionella do concelho de Vila Franca de Xira. Paulo Macedo avançou mesmo com a publicação de um despacho em que declarou o surto “uma situação grave de emergência de saúde pública” e estabeleceu uma lista de hospitais na região da Grande Lisboa onde os enfermeiros tiveram de se apresentar ao serviço, apesar da greve nacional.