“Não haverá nenhum default” na Grécia, garante Juncker

Presidente da Comissão Europeia alerta para as “consequências de amplitude desconhecida” de uma saída da Grécia do euro.

Foto
Juncker diz que já chegou a perder a paciência com a Grécia AFP/Georges Gobet

“Estamos preparados para todo o tipo de desenvolvimentos, mas excluo a 100% um Grexit”, disse Juncker em entrevista ao site Político, que estreou nesta terça-feira o seu site dedicado à política europeia. “Não haverá nenhum default”, afirmou o presidente da Comissão.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

“Estamos preparados para todo o tipo de desenvolvimentos, mas excluo a 100% um Grexit”, disse Juncker em entrevista ao site Político, que estreou nesta terça-feira o seu site dedicado à política europeia. “Não haverá nenhum default”, afirmou o presidente da Comissão.

Juncker não deixou, no entanto, de criticar a falta de cooperação de Atenas com o trabalho das instituições, mostrando-se preocupado com o facto de “o Governo grego não fazer saber atempadamente o que está a acontecer”.

“Precisamos de clareza e não a temos tido”, disse Juncker, que confessou já ter "perdido a paciência" no passado com o problema grego. "Agora estou a voltar a tê-la e não a quero perder outra vez", avisou.

Sobre as negociações em curso entre o Governo de Alexis Tsipras e as instituições de credores há, para o presidente da Comissão Europeia, sinais de que “começaram a avançar na direcção certa”, mas resta “muito caminho a percorrer”.

Em resposta às declarações que têm surgido em vários Estados-membros e que defendem que a zona euro está hoje mais preparada para uma saída da Grécia do que há dois anos, Juncker alertou também que um Grexit poderia “levar a consequências cuja amplitude as pessoas ainda desconhecem”.

Na segunda-feira, o presidente do banco central austríaco, Ewald Nowotny, declarou ao canal americano CNBC que a saída da Grécia da moeda única “não teria o impacto ou o impacto potencial na zona euro que teria tido (...) há algo como dois anos”.

Expectativas baixas para Eurogrupo
Embora as negociações entre o Governo grego e os seus credores, que decorrem em Paris, tenham prosseguido durante todo o fim-de-semana e na segunda-feira, a possibilidade de chegar a um acordo final com a Grécia na reunião informal do Eurogrupo em Riga, na sexta-feira, parece remota.

As atenções têm-se voltado para a reunião seguinte do Eurogrupo, que será a 11 de Maio, em Bruxelas. No dia a seguir, a Grécia tem de pagar mais 750 milhões de euros ao FMI e vários analistas duvidam que o consiga fazer, se não forem libertados os 7200 milhões de euros que o país ainda tem a receber do programa de resgate europeu.