Pelo menos 17 mortos em explosão numa mina no Leste da Ucrânia

Continuam desaparecidas 16 pessoas depois de desastre numa zona controlada pelas forças separatistas.

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"Das 32 pessoas que estavam sob os destroços, foram recuperados 16 corpos, sem sinais de vida", disse um porta-voz dos serviços de emergência regionais, citados pela agência noticiosa russa Ria. De manhã, já tinha sido encontrado um cadáver.

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"Das 32 pessoas que estavam sob os destroços, foram recuperados 16 corpos, sem sinais de vida", disse um porta-voz dos serviços de emergência regionais, citados pela agência noticiosa russa Ria. De manhã, já tinha sido encontrado um cadáver.

Nada se sabe sobre os restantes 16 mineiros. 

Na altura da explosão encontravam-se 230 pessoas à superfície da mina, informaram as autoridades rebeldes e governamentais.

Vários responsáveis ouvidos pelas agências Reuters e AFP afastaram qualquer relação com combates entre as forças do Governo de Kiev e os rebeldes separatistas pró-russos, que controlam a região. No entanto, Mikhailo Volinets, responsável do Sindicato Independente dos Mineiros, disse que as equipas de socorristas que trabalham sob a autoridade dos rebeldes pró-russos ficaram profundamente desorganizadas com a guerra. 

"Após a tomada do poder pelos separatistas, 700 socorristas da região de Donetsk passaram-se para a Ucrânia", afirmou à AFP. "As unidades [de socorristas] não estão hoje completas em Donetsk, falta-lhes pessoal."

Na origem do acidente estará uma explosão de gás metano, à semelhança do que aconteceu em muitas outras ocasiões desde a abertura da mina, em 1958 – mas especialmente a partir de finais da década de 1990.

Num primeiro momento, as autoridades de Kiev avançaram que tinham morrido 32 mineiros, chegando mesmo a ser cumprido um minuto de silêncio no Parlamento da capital ucraniana. No local do acidente, os representantes da autoproclamada República Popular de Donetsk confirmaram a morte de uma pessoa e disseram que 32 mineiros estavam desaparecidos, uma informação que viria a ser também veiculada oficialmente pelo presidente do Parlamento ucraniano, Volodimir Groisman.

O Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, exigiu aos líderes rebeldes que autorizem a entrada na região de equipas de socorro enviadas pelas autoridades de Kiev, mas a república separatistas recusou a oferta. Já o primeiro-ministro, Arseni Iatseniuk, acusou os separatistas pró-russos de terem barrado o acesso a equipas de emergência.

À entrada da mina, a irmã de um dos trabalhadores mostrava-se desesperada com a falta de explicações, segundo um relato da agência Reuters: "Digam-me, há sobreviventes? Porque estão a esconder a verdade?" 

Para além da configuração da mina, que atinge uma grande profundidade e tem níveis elevados de metano, as operações de resgate são também dificultadas pela ausência de comunicação entre o Governo de Kiev e os rebeldes separatistas.

Segundo o sindicalista Mikola Volinko, a situação nas minas agravou-se" desde que os rebeldes assumiram o controlo do Leste da Ucrânia. "Estão a destruir a indústria do carvão em Donetsk. Em muitas das minas, há princípios de inundações", explicou à AFP. Os bombardeamentos atingiram várias minas, e provocaram cortes de electricidade e evacuações urgentes.

Mas, apesar disso, os mineiros têm continuado a trabalhar - ainda que os salários não estejam a ser pagos regularmente. Por vezes, não são pagos durante vários meses. "A moral dos mineiros é baixo. Todos esperam que a situação se estabilize e que as dívidas sejam pagas. É por isso que continuamos a trabalhar", contou Maxime Eremeitchenko, de 52 anos, que trabalha noutra minade Donetsk.

"A guerra no Leste da Ucrânia causou muitos danos materiais nas infra-estruturas, no fornecimento de electricidade e nas estradas na região do Donbass. É pouco provável que os rebeldes dialoguem com Kiev e permitam a entrada de equipas de resgate, mas será que vão pedir ajuda à Rússia?", questionou o director executivo da BBC para as Américas e para a Europa, o ucraniano Olexi Solohubenko.

Os acidentes em minas no Leste da Ucrânia são frequentes, com a mina de Zasiadko entre as mais perigosas. Em Novembro de 2007, uma outra explosão fez pelo menos 101 mortos, naquele que foi o mais grave acidente numa mina na Ucrânia.

Em 2000, uma explosão na mina de Barakova, na província de Lugansk, fez pelo menos 80 mortos.

Desde os finais da década de 1990, só na mina de Zasiadko (o local da explosão desta quarta-feira) houve cinco acidentes graves que provocaram pelo menos 248 mortos: Maio de 1999 (50 mortos), Agosto de 2001 (55 mortos), Julho de 2002 (20 mortos), Setembro de 2006 (13 mortos) e Novembro de 2007 (101 mortos).