Kosovares estão a imigrar em massa para a União Europeia

Só em Janeiro houve dez mil pedidos de asilo na Hungria, a porta da UE.

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Um grupo de kosovares depois de terem passado ilegalmente a fronteira entre a Sérvia e a Hungria Laszlo Balogh/Reuters

Foi a 17 de Fevereiro de 2008 que o Kosovo declarou a independência – a Sérvia ainda não a reconheceu, mas muitos outros países o fizeram entretanto. O país, no entanto, não tem caminhado no sentido de se tornar mais viável, como aconteceu aliás com outro Estado balcânico saído da guerra da ex-Jugoslávia, a Bósnia-Herzegovina. Desde Setembro, mais de 30 mil imigrantes provenientes do Kosovo chegaram a Szeged, a cidade mais perto da fronteira e onde normalmente pedem asilo.

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Foi a 17 de Fevereiro de 2008 que o Kosovo declarou a independência – a Sérvia ainda não a reconheceu, mas muitos outros países o fizeram entretanto. O país, no entanto, não tem caminhado no sentido de se tornar mais viável, como aconteceu aliás com outro Estado balcânico saído da guerra da ex-Jugoslávia, a Bósnia-Herzegovina. Desde Setembro, mais de 30 mil imigrantes provenientes do Kosovo chegaram a Szeged, a cidade mais perto da fronteira e onde normalmente pedem asilo.

Esta vaga de imigração coincide com um momento de agitação política no país – demorou seis meses a haver Governo, após umas eleições de resultados inconclusivos em Junho passado – e aproveita uma menor rigidez na aplicação das regras de acesso às fronteiras da Europa através da Sérvia, encorajada pela União Europeia. Desde 2012, Belgrado autoriza a entrada de viajantes com passaportes emitidos pelo Kosovo, apesar de não reconhecer este país como independente.

Após apanharem um autocarro para Belgrado, tomam outro para Subotica, junto à fronteira com a Hungria. "Esta é a entrada para a Europa", comentou Zoltan Salinger, um guarda-fronteiriço húngaro com quem a Reuters falou. "Falei com um antigo guarda aqui na fronteira. Ele contou-me que, em 1998, apanharam um total de 34 imigrantes. Agora temos 500 a 600 todos os dias. Aquelas duas tábuas sobre a vala, ali, são a fronteira de Schengen."

A Áustria e a Alemanha são os destinos preferidos destes imigrantes que, depois da formalidade do pedido de asilo, partem rapidamente. Os motivos que levam os kosovars a deixar o país são essencialmente económicos. O salário médio no sector privado é de 230 euros e mais de um terço da população está desempregada. A corrupção está enraizada.

Mas a Hungria, que não está habituada a receber imigrantes, está a reagir mal a este afluxo inesperado de gente. O primeiro-ministro, Victor Orbán, prometeu nova legislação que permita a detenção durante períodos extensos ou a rápida deportação dos imigrantes: "Se não tivermos leis que nos permitam detê-los imediatamente e deportá-los, a Hungria vai tornar-se um campo de imigrantes económicos. Isto tem de ser evitado", afirmou.

A Alemanha, que tem rejeitado 99% destes pedidos de asilo, está igualmente preocupada e prometeu enviar 20 agentes da polícia para vigiar a fronteira entre a Hungria e a Sérvia, para controlar esta vaga de imigrantes que procuram entrar na União Europeia. A agência europeia para a imigração Frontex será também reforçada nesta área.

A Presidente do Kosovo, Atifete Jahjaga, foi a Vushtrri, uma cidade no Norte do Kosovo onde cinco mil dos 70 mil habitantes imigraram nos últimos meses, para pedir às pessoas que não se vão embora. "Não deviam partir; deviam ficar aqui e tentar encontrar uma solução", disse à pequena multidão que se juntou à sua volta.

"Esta noite vou para a Hungria", gritou-lhe um homem. "Senhora Presidente! Arranje-me um emprego e eu fico no Kosovo."