Brasil: governo cria perfis falsos no Tinder para combater VIH

Personagens fictícias propõem a utilizadores de apps de encontros casuais a realização de sexo sem protecção. Quem aceita acaba a receber mensagens sobre sexo seguro

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Bazuki Muhammad/ Reuters

Andam desde o mês de Janeiro a propor a utilizadores de aplicações de encontros casuais, como o Tinder e o Hornet, sexo sem protecção. Podiam ser pessoas reais mas, desta vez, são cinco perfis falsos criados pelo Governo brasileiro para uma campanha de prevenção da Sida.

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Andam desde o mês de Janeiro a propor a utilizadores de aplicações de encontros casuais, como o Tinder e o Hornet, sexo sem protecção. Podiam ser pessoas reais mas, desta vez, são cinco perfis falsos criados pelo Governo brasileiro para uma campanha de prevenção da Sida.

As personagens fictícias notificam, no perfil público, que procuram "homem ou mulher para sexo sem compromisso e, de preferência, sem camisinha [preservativo]". Quem os contacta acaba por receber, durante a conversa online, uma série de mensagens sobre a importância da prevenção e do sexo seguro. "É difícil saber quem tem VIH. Se divirta mas se proteja", lê-se numa dessas mensagens.

“Nós precisamos de atingir os mais jovens, quer sejam hetero ou homossexuais. E precisamos de alcançá-los com uma linguagem directa e informativa, que esclareça e apele aos adolescentes para que respeitem os parceiros ao praticar sexo seguro”, explicou o ministro da Saúde brasileiro, Arthur Chioro, citado pela EuroNews.

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Um dos perfis criados pelo governo brasileiro DR

Em cerca de um mês, mais de duas mil pessoas responderam aos convites dos personagens falsos criados pelo governo, que tornou a campanha pública esta segunda-feira, dia 9. Uma sondagem recente revelou que 45% dos brasileiros admitem praticar sexo sem preservativo, ainda que a maioria reconheça a importância da prevenção.

Todos os anos, 39 mil pessoas são infectadas pelo VIH no Brasil. Durante os cinco dias de Carnaval, o governo vai distribuir 70 milhões de preservativos e propor testes gratuitos de despistagem da doença.

A aplicação de encontros casuais Tinder realizou, há cerca de um ano, uma campanha semelhante à agora revelada pelo governo brasileiro.