Crianças portuguesas são as que comem mais fruta

Estatuto sócio-económico dos pais é importante factor de risco para o excesso de peso e a obesidade

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Em média, as crianças portuguesas que participam no estudo comem pelos menos uma peça de fruta por dia Foto: João Henriques

Este são os primeiros resultados do projecto europeu EPHE (EPODE for the Promotion of Health Equity) , que visa avaliar o impacto de acções de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de actividade física na redução das desigualdades em crianças dos seis aos nove anos.

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Este são os primeiros resultados do projecto europeu EPHE (EPODE for the Promotion of Health Equity) , que visa avaliar o impacto de acções de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de actividade física na redução das desigualdades em crianças dos seis aos nove anos.

Sobre os resultados de Portugal, apesar de o consumo de fruta se "destacar pela positiva", uma criança que pertença a um nível socio-económico mais baixo come menos fruta do que uma criança de famílias de um nível socio-económico superior, explicou à Lusa a investigadora Maria João Gregório. "O que nós sabemos é que as estratégias de promoção da saúde têm mais impacto nos indivíduos que têm um nível socio-económico mais elevado", frisou.

Agora divulgados pela Direcção-Geral da Saúde, que é parceira deste estudo, os resultados indicamainda que as crianças estão demasiado tempo expostas ao “ecrã (televisão, vídeos/DVD, consolas e computador)” e que a este nível não há grande diferenças entre as crianças dos sete país incluídos no projecto (além de Portugal, a Bulgária, a França, a Bélgica, a Grécia, a Holanda e a Roménia) nem em função dos seus estatutos sócio-económico.

Em média, as crianças incluídas no estudo passam uma parte considerável do seu tempo ao computador – cerca de 30 minutos por dia durante a semana – e cerca de uma hora por dia ao fim-de-semana. Uma exposição “excessiva” que “deve ser alvo de intervenção”, defendem os investigadores.

Em relação a Portugal, há um dado curioso:  é o segundo país, a seguir à Roménia, onde se verificou uma maior percentagem de crianças pertencentes a famílias de nível socioeconómico mais baixo com televisão no quarto (74% e 76%, respectivamente).

Já o consumo de hortícolas é baixo (duas a quatro vezes por semana), mas também aqui há diferenças: quase 30% das famílias com nível educacional mais baixo referiram que as crianças comem salada menos do que uma vez por semana.

Financiado pela Comissão Europeia e apoiado pela Organização Mundial de Saúde, o projecto permitiu concluir que o estatuto sócio-económico dos encarregados de educação tem reflexos no comportamento alimentar e na actividade física, sendo, assim, “um importante factor de risco” para o excesso de peso e a obesidade infantil.

Em Portugal, o projecto decorre no âmbito da iniciativa "Maia Menu Saudável" e engloba 240 crianças e respectivas famílias. O estudo europeu inclui 1266 crianças e famílias.