João Semedo adia a decisão da liderança e apela à unidade

O resultado foi disputado até ao último minuto. Houve empate para a Mesa Nacional, que deve reunir-se no final da semana.

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Os coordenadores à frente do partido nos últimos dois anos alcançaram, na votação das moções de orientação política, 266 votos, contra 258 obtidos por Pedro Filipe Soares, actual líder parlamentar do partido.

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Os coordenadores à frente do partido nos últimos dois anos alcançaram, na votação das moções de orientação política, 266 votos, contra 258 obtidos por Pedro Filipe Soares, actual líder parlamentar do partido.

Para a eleição da Mesa Nacional, órgão máximo entre convenções, houve um empate de 259 votos, que designou 34 lugares no órgão para cada uma destas listas. Na Mesa Nacional, a lista B terá sete dirigentes e a lista R outros quatro, completando assim os lugares do órgão de direcção. Os bloquistas já fizeram saber que se deverão reunir no próximo fim-de-semana para discutir o desfecho da liderança.

No discurso de encerramento dos trabalhos, Semedo garantiu que "este é o partido de todos os bloquistas" e teve um gesto simbólico de apelo ao consenso, ao chamar ao palco os 80 membros da Mesa Nacional. "Esta disputa interna deve encerrar", disse. Com pedro Filipe Soares no palco, Semedo garantiu: "Assumimos a diferença, é a diferença que nos faz mais fortes e nos dá a unidade que queremos ter na luta."

Ao PS, o Bloco deixou o mesmo recado da véspera, desfazendo a ilusão de qualquer possibilidade de compromissos com o partido de António Costa. Se o PS for governo em 2015 e afirmar que "não há dinheiro para criar emprego e baixar impostos" terá pela frente o protesto dos bloquistas. "Nesse primeiro dia terá o BE nas ruas", garantiu.

Para fora, deixou três compromissos políticos importantes: derrotar a austeridade, defindo esse combate como a luta central para as legislativas; resistência e maior mobilização social; e reverter a relação de forças entre o trabalho e o capital.

Ainda antes do anúncio do resultado das moções políticas e da Mesa Nacional, Catarina Martins subiu ao palco para afirmar que os coordenadores querem muito mais do que “ter razão”.

“Queremos muito mais do que ter razão, queremos mesmo dar a volta a isto”, disse, não sem acrescentar que falava em nome da moção “que fez tudo para evitar a contagem de espingardas. Não há um único militante nesta sala que não tenha sido convidado para este debate”.

Para o futuro, a coordenadora do partido prometeu mudanças, mas com união. “Há coisas que têm que mudar, sim, mas temos que mudar juntos. É para isso que aqui estamos, vamos a isso”, concluiu.

A IX convenção do Bloco, que terminou este domingo no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, foi marcada por um debate tenso entre as moções, com empate de posições, aplausos e assobios sempre à espreita. O resultado foi imprevisível até ao último minuto.

Este sábado, o líder parlamentar tinha somado outra “vitória” ao conforto de uma vantagem de seis delegados, ao conseguir aprovar alterações aos estatutos propostas por si e pelos seus apoiantes. Foram os casos dos referendos internos, sem um objectivo definido a priori, desde que a iniciativa seja subscrita por 500 militantes, e da paridade de género 50/50 na comissão política, tendo em conta a proporcionalidade dos resultados obtidos pelas moções.