Primeiro-ministro avisa que o Canadá "não se deixará intimidar"

Perímetro de segurança foi levantado após confirmação de que apenas um atirador esteve envolvido no ataque contra o Parlamento de Otava.

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O ataque em Otava foi o segundo no espaço de três dias no Canadá, depois de na segunda-feira um outro homem que estava a ser vigiado pelos serviços de informações – por se ter convertido ao islão e ter planos para viajar para o Médio Oriente – ter atropelado dois soldados no Quebeque, matando um deles. Depois disso, o Governo canadiano decidiu elevar o nível de alerta citando informações de que “um indivíduo ou um grupo, no Canadá ou no estrangeiro”, teriam “a intenção de cometer um acto terrorista”.

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O ataque em Otava foi o segundo no espaço de três dias no Canadá, depois de na segunda-feira um outro homem que estava a ser vigiado pelos serviços de informações – por se ter convertido ao islão e ter planos para viajar para o Médio Oriente – ter atropelado dois soldados no Quebeque, matando um deles. Depois disso, o Governo canadiano decidiu elevar o nível de alerta citando informações de que “um indivíduo ou um grupo, no Canadá ou no estrangeiro”, teriam “a intenção de cometer um acto terrorista”.

“Estes ataques são uma sombria recordação de que o Canadá não está imune ao tipo de ataques terroristas a que assistimos noutras partes do mundo”, afirmou Harper, que estava reunido com deputados no momento do ataque, na manhã de quarta-feira, e foi retirado do edifício pela sua segurança mal soaram os primeiros disparos. “Mas que não haja mal-entendidos. Não seremos intimidados. O Canadá não será nunca intimidado”, sublinhou o primeiro-ministro conservador, que no início deste mês anunciou que a Força Aérea do país se vai juntar à ofensiva contra os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque.

Pouco antes da intervenção, o mayor de Otava anunciou o levantamento do perímetro de segurança que foi montado no centro da capital face à suspeita de que haveria mais do que um atirador, que a polícia disse chamar-se Michael Zehef-Bibeau. Harper disse que as investigações vão rapidamente determinar se o atacante – a quem ele se referiu como “terrorista” – agiu sozinho ou contou com cúmplices.

Assegurou, no entanto, que a acção levará as autoridades a “reforçar o empenho e a redobrar esforços” para “identificar e combater as ameaças à segurança do Canadá”. Reforçando os sinais de que as autoridades acreditam que se tratou de um ataque com motivações associadas à ofensiva em curso contra os jihadistas, Harper reafirmou a “determinação do Canadá para trabalhar com os aliados no combate a organizações terroristas que brutalizam tanta gente no mundo”. Os terroristas, acrescentou, “não encontrarão refúgio em nenhum lado”.

A confirmarem-se as suspeitas de ligação deste caso ao jihadismo, os ataques desta semana no Canadá seriam os primeiros desde que, em Setembro, o líder do Estado Islâmico exortou os seus seguidores a matar cidadãos dos países envolvidos na ofensiva contra a organização radical que em Junho proclamou um califado nos territórios conquistados entre a Síria e o Iraque.  

Segundo as primeiras informações divulgadas, Bibeau, de 32 anos, tinha sido recentemente identificado pelas secretas como um “viajante de alto-risco” e o seu passaporte foi apreendido face a suspeitas de que pretendia sair do país para se juntar a um grupo terrorista. Oriundo do Quebeque, tinha um cadastro policial por pequenos delitos, incluindo roubo e posse de droga, tendo posteriormente aderido às teses mais extremistas do islão. Um perfil muito idêntico ao homem que na segunda-feira matou um soldado no Quebeque e deixou outro ferido, acabando por morrer num despiste após uma perseguição policial.