Barclays prepara fecho de 60 balcões e redução de mais de 350 postos de trabalho

O Barclays quer fechar mais cerca de 60 balcões em Portugal, país onde a presença deixou de ser estratégica, e reduzir entre 350 a 400 postos de trabalho, disseram fontes da instituição bancária à Lusa.

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Processo deverá estar concluído no início de 2015 Foto: Shamila Mussa (arquivo)

"Este 'Plano Social' prevê o encerramento de mais cerca de 60 agências e uma redução de 350 a 400 pessoas", disse uma das fontes, acrescentando que a comunicação dos planos do grupo aos sindicatos deverá dar-se "muito em breve".

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"Este 'Plano Social' prevê o encerramento de mais cerca de 60 agências e uma redução de 350 a 400 pessoas", disse uma das fontes, acrescentando que a comunicação dos planos do grupo aos sindicatos deverá dar-se "muito em breve".

Outra fonte explicou à Lusa que, desde que foi conhecida a estratégia do grupo, "o negócio do banco [em Portugal] tem vindo a cair, com fuga de depósitos".

Contactado pela Lusa, o Barclays Portugal enviou a seguinte posição oficial por escrito: "Em maio, a operação de retalho do Barclays Portugal foi incluída pelo Grupo Barclays na unidade 'non-core' do mesmo. Continuamos a gerir activamente e a proteger o negócio em Portugal e a assegurar que prestamos um serviço de qualidade aos nossos clientes".

"Se, a dado momento, isto significar uma reorganização da operação de retalho em Portugal, assim o faremos, tratando todos os envolvidos com respeito, gerindo o processo de forma responsável e informando os colaboradores, os clientes, os reguladores e a imprensa no momento oportuno", acrescentam.

A 8 de maio, o presidente executivo do Barclays, Antony Jenkins, anunciou a revisão da estratégia do grupo, para se focar nas "áreas onde tem capacidade e vantagem competitiva", e que passava pela supressão de 14 mil empregos só este ano.

Nessa altura foi assumido que a presença do banco em Portugal deixou de ser considerada estratégica para o grupo britânico, o que implicaria um eventual fim da actividade de retalho no país a médio prazo.

A reestruturação pensada passa pelo agrupamento das actividades do grupo consideradas não estratégicas, uma vez que, para a gestão do Barclays, estas não dão retornos adequados e não se perspectiva que o façam.

Dentro destas, está incluída a actividade de retalho do Barclays na Europa, onde se insere a actividade a retalho em Portugal.

O britânico Barclays já vem a reestruturar a operação em Portugal nos últimos anos, tendo saído mais de 400 trabalhadores entre 2012 e 2013, além do fecho de dezenas de balcões.

Em maio, segundo fonte oficial do banco, trabalhavam no grupo em Portugal 1.600 funcionários, continuando abertas 147 agências.

"Muitos dos negócios 'non-core' [não estratégicos] do Barclays são rentáveis e alguns serão atraentes para outros proprietários. Vamos continuar a geri-los activamente, protegendo-os e explorando opções de venda ou de saída ao longo do tempo", afirmou, na altura, Jenkins.

A 31 de agosto foi conhecida a venda à CaixaBank da atividade de retalho, gestão de património e serviços bancários para as empresas do Barclays em Espanha.

O mesmo caminho que se tem antecipado que o grupo faça em Portugal.

O CaixaBank irá adquirir, assim, o Barclays Bank SAU (responsável pela gestão da banca a retalho, patrimónios e banca corporativa da entidade britânica em Espanha) por 800 milhões de euros. Numa nota, na altura, o CaixaBank explicou que o preço final vai ser ajustado em função do património do Barclays Bank SAU no final do ano.

A execução do acordo de aquisição, estabelecido com o Barclays Bank PLC, está prevista para o final deste ano e está sujeita à obtenção das autorizações dos organismos competentes e entidades reguladoras.

O acordo exclui o negócio da banca de investimento e o Barclayscard, actividades que vão continuar a ser desenvolvidas, em Espanha, pelo Barclays Bank PLC.

O Barclays tem uma única estrutura de presidência executiva para toda a península ibérica e, em Janeiro deste ano, o cargo de responsável para Espanha e Portugal passou a ser ocupado por Claudio Corradini.