SEC pede à Direcção do Património Cultural para avaliar supostas gravuras de Rembrandt

Especialistas já ouvidos pelo PÚBLICO duvidam muito da atribuição das quase 300 gravuras que a Fundação Dionísio Pinheiro diz serem do mestre holandês.

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Uma das imagens em exposição Miguel Nogueira

A Direcção-Geral do Património Cultural, através da assessora Maria Resende, confirmou o pedido feito pela Secretaria de Estado da Cultura, mas não sabe ainda a quem será pedida a peritagem. Em causa está provar-se que as peças são gravuras originais do pintor holandês do século XVII, como publicita o museu desta fundação a propósito de uma exposição, ou apenas reproduções fotomecânicas das obras originais, como afirmam especialistas ouvidos pelo PÚBLICO.

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A Direcção-Geral do Património Cultural, através da assessora Maria Resende, confirmou o pedido feito pela Secretaria de Estado da Cultura, mas não sabe ainda a quem será pedida a peritagem. Em causa está provar-se que as peças são gravuras originais do pintor holandês do século XVII, como publicita o museu desta fundação a propósito de uma exposição, ou apenas reproduções fotomecânicas das obras originais, como afirmam especialistas ouvidos pelo PÚBLICO.

António Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), acrescentou esta segunda-feira ao PÚBLICO que “é inquestionável: não se tratam de gravuras, mas de heliogravuras”, remetendo para o parecer da primeira conservadora do museu da Fundação Dionísio Pinheiro, Maria José Goulão, que diz que se tratam de reproduções fotomecânicas produzidas em França no século XIX com fins comerciais.

O MNAA foi contactado há alguns meses pelo conservador do museu em causa, Miguel Vieira Duque, explicou Alexandra Markl, a conservadora na área de gravura do MNAA, que esclareceu agora ter nessa altura “desencorajado" o técnico da fundação sobre a suposta descoberta de que teria nas mãos gravuras feitas a partir da chapa original de Rembrandt.

“Continuamos convictos de que se tratam de gravuras feitas a partir das chapas originais de Rembrant”, disse esta segunda-feira ao PÚBLICO Luís Arruda, membro do conselho de administração da Fundação Dionísio Pinheiro, acrescentando que o tempo da exposição vai mesmo alargar-se até ao final de Julho – anteriormente terminaria a 28 de Junho. Mateus Augusto Araújo Anjos, director da Fundação Dionísio Pinheiro, não quis fazer qualquer comentário acerca desta polémica.

Miguel Vieira Duque afirma estarem na colecção da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda, 282 gravuras que atribui a Rembrandt e está a expor 14 delas no museu desta fundação. A exposição é publicitada como sendo uma mostra da “maior colecção de gravuras de Rembrandt” – superior à do holandês Rijksmuseum e à da Casa Museu Rembrandt, diz Miguel Vieira Duque.

Antes do anúncio da SEC, o PÚBLICO tinha já contactado a Direcção-Geral do Património que, através da assessora Maria Resende, explicou que o museu da fundação não faz parte da Rede Portuguesa de Museus, um sistema a que os museus privados aderem voluntariamente, que funciona junto da DGPC, e que pretende melhorar as práticas museológicas.