Anonymous atacam sites dos colégios GPS que estão a ser investigados por corrupção

Ataque deixou os vários sites do grupo, alvo de buscas da PJ em Janeiro por suspeitas de corrupção, inacessíveis. "Este é o pagamento por manter colégios onde alegadamente não existe capacidade do ensino público”, explicaram os piratas informáticos.

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Em lugares públicos, a máscara identifica apoiantes do grupo Anonymous Foto: Michael Gottschalk/AFP

No Facebook, os piratas informáticos informam sobre o “mega-apagão nos colégios financiados pelo Estado” e publicaram imagens cópia da página principal inacessível daquele grupo na Net. As páginas mantinham-se em baixo na noite de terça-feira, mas já foram reactivadas esta quarta-feira, como o PÚBLICO confirmou.

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No Facebook, os piratas informáticos informam sobre o “mega-apagão nos colégios financiados pelo Estado” e publicaram imagens cópia da página principal inacessível daquele grupo na Net. As páginas mantinham-se em baixo na noite de terça-feira, mas já foram reactivadas esta quarta-feira, como o PÚBLICO confirmou.

Durante o ataque, os hackers substituíram o fundo da página principal por uma imagem encimada pelo mote “liberdade de expressão”. Nela, incluíram ainda uma mensagem que, aparentemente, justificará o ataque. “Um dos maiores grupos de escolas privadas do país recebeu, só este ano, cerca de 25 milhões de euros de financiamento do Estado. Este é o pagamento por manter colégios onde alegadamente não existe capacidade do ensino público”, escreveram os piratas informáticos.

Os hackers remeteram ainda para uma reportagem emitida pela TVI e que denunciou “escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados pertencentes ao grupo GPS que envolve ainda vários ex-governantes de diversos partidos políticos”. 

Na mensagem publicada pelo grupo ligado aos Anonymous foram ainda publicadas fotografias do presidente do conselho de administração do grupo GPS, António Calvete, e do ex-secretário de Estado da Educação, José Manuel Canavarro, actual deputado do PSD e antigo consultor do grupo, cujas casas foram também alvo de buscas da PJ.

O ataque não estará a ser para já investigado pela PJ, confirmou fonte daquela polícia. O PÚBLICO aguarda ainda esclarecimentos da Procuradoria-Geral da República (PGR), nomeadamente sobre se já recebeu alguma queixa acerca deste ataque.

Foram também enviadas questões ao conselho de administração do grupo GPS que, porém, preferiu não responder. Aliás, o grupo não esclareceu também que eventuais prejuízos terá registado na gestão das suas escolas na sequência do ataque já que os vários sites atingidos possibilitam também a inscrição de alunos através de uma área de acesso reservado.

As instalações do grupo GPS foram alvo de buscas da PJ em Janeiro por suspeitas de corrupção, peculato, burla e branqueamento de capitais. Entre 2005 e 2013, o grupo terá recebido mais de 220 milhões de financiamento do Estado, mas os investigadores suspeitos que parte desse dinheiro terá servido para fins privados, havendo também dúvidas sobre as circunstâncias em que foram assinados os contratos de associação.

Em Fevereiro de 2014, a Federação Nacional de Professores entregou uma queixa-crime na PGR por entender existirem “indícios de prática dos crimes de peculato, participação económica em negocio e abuso de poder” em colégios privados.