As novas fibras do Japão são convidadas da bienal de arte têxtil de Guimarães

O evento realiza-se entre 26 de Julho e 11 de Outubro em vários espaços culturais da cidade.

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Contextile, exposição na Casa da Memória na edição de 2012 Nelson Garrido

As chamadas “fibras do futuro” do Japão são as convidadas centrais da segunda edição da bienal de arte têxtil cujo programa foi apresentado esta quinta-feira.

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As chamadas “fibras do futuro” do Japão são as convidadas centrais da segunda edição da bienal de arte têxtil cujo programa foi apresentado esta quinta-feira.

A exposição convidada, Fiber Futures – Japan’s Textile Pioneeers, é constituída por 35 obras de artistas que são pioneiros na criação de arte com as chamadas “fibras do futuro”. Estes nipónicos usam, por exemplo, pasta de papel ou fibras sintéticas, nas suas obras, mas também cânhamo ou cortiça. A escolha das peças foi feita pela International Textile Network Japan e a passagem por Guimarães está integrada numa itinerância internacional começada em 2011, e que se estende até ao próximo ano, com passagens por museus de São Francisco, Paris e Madrid, por exemplo.

Esta mostra integrada na Contextile servirá também para inaugurar a extensão do Museu de Alberto Sampaio, no centro histórico da cidade – que pertence à rede do Estado, mas está à espera de abrir portas há dois anos, por falta de financiamento. Além do Japão, a bienal de arte têxtil contemporânea de Guimarães convida artistas de outros três países para esta segunda edição. Lituânia, Estónia e Espanha vão mostrar uma selecção de alguns dos principais criadores contemporâneos que utilizam o têxtil como suporte para os seus trabalhos.

Foi o “sucesso reconhecido” da primeira edição, integrada na Capital Europeia da Cultura de 2012, que motivou a continuidade ao projecto, revelou Joaquim Pinheiro, da organização na apresentação do programa da Contextile, esta quinta-feira. O evento realiza-se entre 26 de Julho e 11 de Outubro em vários espaços culturai da cidade.

A dinâmica criada e o envolvimento com algumas entidades locais e regionais levaram mesmo os responsáveis a rever o seu conceito, abandonando a intenção original de uma realização a cada três anos para passar a assumir um formato de bienal. O objectivo da organização continua, porém, inalterado em relação a 2012: “colocar o têxtil num outro contexto, o da arte contemporânea”.

Além das exposições internacionais, o elemento central do programa da Contextile é a mostra competitiva, que reúne obras de 50 artistas, selecionadas entre as mais de 260 candidaturas recebidas pela bienal. As obras poderão ser visitadas na Casa da Memória até 5 de Outubro e o melhor trabalho a concurso receberá um prémio de aquisição, patrocinado pela autarquia local.

Uma das novidades do programa deste ano é a iniciativa Emergência, que partiu de um convite aos alunos das escolas artísticas Soares dos Reis (Porto) e António Arroio (Lisboa) e Faculdade de Belas Artes do Porto para a criação de produção de trabalhos de arte têxtil, apresentados no Instituto do Design da Universidade do Minho.

Outra evolução da segunda edição do certame é a extensão na MODtissimo, uma realização integrada na Porto Fashion Week. O momento serve para assinalar a aproximação entre a bienal de arte têxtil e os industriais do sector, que continua a ser marcante na região. Fruto de uma parceria com a Associação dos Têxteis de Portugal, a bienal vai convidar artistas para conceberem duas intervenções de arte pública no edifício da Alfândega do Porto, que acolhe o certame de moda, a 24 e 25 de Setembro.