Duas crianças de 12 anos esfaquearam colega em sacrifício para o "homem sem cara"

Menores ficaram obcecadas com personagem fictícia de terror e afirmam ter agido para agradar a Slender Man.

Fotogaleria

Horror é a palavra mais usada para descrever toda a história, desde o que motivou o esfaqueamento ao próprio crime, segundo descrições feitas pelas menores à polícia e documentos do tribunal onde já foram ouvidas. Há meses que Morgan Geyser e Anissa Weier planeavam o ataque a uma colega de escola. Depois de duas ou três formas pensadas de como iriam atrair e matar a vítima, também de 12 anos, no último sábado, Morgan e Anissa levaram a colega para uma zona de bosque, perto das suas casas, sob a desculpa que iriam jogar às escondidas.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Horror é a palavra mais usada para descrever toda a história, desde o que motivou o esfaqueamento ao próprio crime, segundo descrições feitas pelas menores à polícia e documentos do tribunal onde já foram ouvidas. Há meses que Morgan Geyser e Anissa Weier planeavam o ataque a uma colega de escola. Depois de duas ou três formas pensadas de como iriam atrair e matar a vítima, também de 12 anos, no último sábado, Morgan e Anissa levaram a colega para uma zona de bosque, perto das suas casas, sob a desculpa que iriam jogar às escondidas.

O sacrifício começou pouco depois. Enquanto uma das raparigas segurava a vítima, a outra esfaqueou-a 19 vezes nos braços, pernas e torso. A criança foi deixada no bosque pelas duas menores. Acabou por ser salva por um ciclista numa estrada, para onde tinha conseguido arrastar-se. “Muitas das facadas atingiram órgãos principais, mas incrivelmente e felizmente a vítima sobreviveu ao assalto brutal”, contou em conferência de imprensa o chefe da polícia de Waukesha, Russell Jack, citado pela imprensa norte-americana.

Morgan e Anissa foram encontradas próximo do local do ataque e levadas pela polícia para interrogatório. “Foi estranho não ter sentido remorsos”, disse uma das jovens. “A parte má de mim queria que ela morresse. A parte boa queria que ela vivesse”, desabafou a outra.

Nas declarações que fizeram, a história da tentativa de homicídio juvenil adensou-se ainda mais quando ambas falaram em Slender Man, uma figura fictícia criada em 2009, para um concurso de Photoshop. Os participantes tinham de transformar fotografias normais em imagens arrepiantes através da manipulação digital e depois torná-las como que fotografias autênticas e partilhá-las em fóruns dedicados ao paranormal. O concorrente Victor Surge criou duas fotografias a preto e branco, onde se viam crianças e uma criatura misteriosa que as perseguia.

A culpa é do Slender Man?
A figura é enigmática, com um corpo extremamente magro e comprido, vestido com um fato e uma cabeça branca, sem cara ou expressão. Além dos braços, das suas costas saem vários tentáculos. O seu objectivo, numa versão mais pesada do clássico “papão”, é perseguir crianças, hipnotizá-las e traumatizá-las. Na Internet existem vários vídeos, imagens e histórias à volta da personagem sem cara.

Morgan e Anissa conheceram o Slender Man através do site Creepypasta, que disponibiliza pequenos contos de terror, alguns deles da sinistra personagem.

Na terça-feira, o administrador do site publicou um comunicado em que fala do caso de Waukesha, depois de ter recebido várias críticas. “Não acredito que seja culpa do Slender Man ou de contos de horror em geral que isto aconteceu”, escreveu o responsável. “Não acredito que histórias arrepiantes as leve [crianças] a tornarem-se más ou doentes, penso que pode assustá-las e/ou deixá-las ansiosas. E se o seu filho tem problemas de violência ou depressão, é muito importante certificar-se que não interage com coisas que aumentem isso”, acrescentou, para depois sublinhar que a “maioria das pessoas não vêem o Hannibal e transformam-se em assassinos em série”.

À polícia, Morgan confirmou que, tal como Anissa, ficou obcecada com o Slender Man, que, segundo a jovem, começou a observá-la, a ler os seus pensamentos e a teletransportar-se. O objectivo máximo das duas raparigas era passarem a ser uma espécie de servidoras do Slender Man e para isso teriam de sacrificar alguém, caso contrário, o homem sem cara mataria as suas famílias. As suas raparigas admitiram sentir uma mistura de medo e fascínio pela figura, para elas real, e após a morte da colega planeavam ir viver para a mansão do Slender Man, cuja morada nunca indicaram.

As duas raparigas vão ser julgadas como adultas. Foi por essa razão que os seus nomes acabaram por ser revelados aos jornalistas. Arriscam uma pena de prisão até 65 anos, se forem condenadas como adultas, mas os advogados de defesa pretendem que o caso seja julgado como um processo juvenil e alegar questões de saúde mental para justificar o crime. Anthony Cotton, um dos advogados, disse, citado pela abcNews, que uma das menores tem problemas mentais. “Não há qualquer dúvida de que precisa de ir para um hospital”, reforçou.

Neste momento, as raparigas estão sob custódia da polícia e podem ficar em liberdade, caso sejam pagos 500 mil dólares de fiança para cada uma. Os pais das jovens estão chocados com o caso e pretendem que o processo decorra da forma mais privada possível.