Pneumologistas contra uso de cigarro eletrónico sem se conhecerem efeitos na saúde

Sociedade Portuguesa de Pneumologia discorda da posição de um grupo de 50 especialistas que defende que a Organização Mundial de Saúde devia encorajar o uso do cigarro electrónico.

Foto
REUTERS/Mike Segar

Cinquenta especialistas em tabaco, cancro e dependências e profissionais da saúde de países ocidentais apelaram na quarta-feira à diretora-geral da OMS, Margaret Chan, para que "liberte o potencial" dos cigarros eletrónicos e produtos do tabaco sem combustão.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Cinquenta especialistas em tabaco, cancro e dependências e profissionais da saúde de países ocidentais apelaram na quarta-feira à diretora-geral da OMS, Margaret Chan, para que "liberte o potencial" dos cigarros eletrónicos e produtos do tabaco sem combustão.

"O potencial destes produtos (...) para reduzir o fardo das doenças devidas ao tabagismo é muito grande, e estes produtos poderiam estar entre as inovações mais importantes do século XXI em matéria de saúde", sublinham, em carta noticiada pela agência AFP.

"Estamos numa fase de grande confusão que não deverá ser clarificada tão cedo, porque é difícil de clarificar", disse Ana Figueiredo. A especialista lembrou que não existe legislação sobre o cigarro eletrónico e que ainda não se conhece a sua composição.

A SPP considera que o importante é as pessoas deixarem de fumar e, para tal, existem no mercado produtos indicados.
"Não somos contra os fumadores, mas sabemos que o tabaco faz mal e o que nos interessa é que as pessoas deixem de fumar", adiantou.

Os profissionais que fizeram agora a recomendação à OMS, entre os quais o oncologista e ex-ministro da Saúde italiano Umberto Veronesi ou o ex-director francês do Fundo Mundial Contra a Sida Michel Kazatchkine, classificam como "contra-produtivo interditar a publicidade para os cigarros eletrónicos e as outras alternativas ao tabagismo com baixo risco".

Ainda segundo o texto, "a interdição da publicidade ao tabaco assenta nos malefícios do tabaco, mas nenhum argumento deste tipo pode ser aplicado, por exemplo aos cigarros eletrónicos, que são muito mais suscetíveis de reduzir os malefícios" do tabaco.