Cáritas de Beja pede azeite para confeccionar refeições sociais

Confrontada com um número crescente de pessoas com necessidades alimentares, a Cáritas de Beja apelou aos olivicultores para que apoiem a organização com 3000 litros de azeite.

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Enric Vives-Rubio

Teresa Chaves, presidente da organização, disse que em 2013 foram apoiadas de diferentes formas cerca de 5000 pessoas e servidas 61.115 refeições, uma realidade que demonstra como o azeite se tornou uma necessidade premente para a confecção de alimentos que são servidos no refeitório e cantina social da Cáritas.

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Teresa Chaves, presidente da organização, disse que em 2013 foram apoiadas de diferentes formas cerca de 5000 pessoas e servidas 61.115 refeições, uma realidade que demonstra como o azeite se tornou uma necessidade premente para a confecção de alimentos que são servidos no refeitório e cantina social da Cáritas.

Para além do aumento no número de pedidos de apoio em alimentos, Teresa Chaves considerou ser o momento para envolver outros parceiros no apoio aos que mais precisam para minorar situações de carência, sobretudo quando afectam crianças. "Com fome é difícil ter sucesso escolar", realça a responsável, frisando que a dimensão da crise criou um imenso número de sem-abrigo, que "também têm de ser alimentados e alojados".

Os pedidos de apoio em alimentos têm subido constantemente, assim como o consumo de azeite. Teresa Chaves explicou que surgiu então a ideia de lançar a campanha Azeite Solidário – Uma Gota de Esperança para suprir a falta desta gordura alimentar, associando à iniciativa os olivicultores da região depois de alguns deles terem oferecido o seu apoio à Cáritas.

Até ao momento já aderiu uma dezena de produtores, portugueses e espanhóis, mas a campanha vai prolongar-se até ao final de Dezembro. A Olivum – Associação de Olivicultores do Sul, recentemente formada, será um dos interlocutores da Cáritas na iniciativa que num futuro próximo poderá estender-se a outro tipo de produtos para aumentar a capacidade de resposta da organização.

Márcio Pires, também da Cáritas de Beja, destacou, por seu lado, a "mais-valia que o regadio pode trazer" no apoio aos mais necessitados. "Neste momento, para além do azeite, temos tido donativos de fruta, sobretudo uva e melão" produzidos na área do Alqueva. A esperança é que cada vez mais agricultores venham a colaborar doando outros produtos da terra que o regadio está a potenciar.

Teresa Chaves esclarece que a função da Cáritas passa também "por libertar as pessoas da dependência assistencialista, preparando-as para a sua autonomização", embora as solicitações de emergência estejam a exigir, cada vez mais, o empenho da organização em particular junto da comunidade imigrante, fornecendo alimentos e vestuário. Ainda recentemente a organização de Beja pagou a cerca de 40 romenos a viagem de regresso à sua terra.

Além do apoio prestado, a organização "procura sensibilizar" os proprietários das explorações agrícolas para um acolhimento mais humanizado dos milhares de cidadãos estrangeiros que todos os anos chegam ao Alentejo para os trabalhos sazonais como a apanha da azeitona e da uva, adianta Márcio Pires.