Reacções: "As universidades brasileiras reconhecem a Universidade de Coimbra com a sua alma mater"

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Lula da Silva, antigo Presidente do Brasil, recebe doutoramento honoris causa pela Universidade de Coimbra, ao lado de Seabra Santos, antigo reitor Nelsono Garrido

“Homenagem à cultura portuguesa e à cidade de Coimbra", Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República

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“Homenagem à cultura portuguesa e à cidade de Coimbra", Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República

O Presidente da República, Cavaco Silva, saudou com “grande satisfação” a classificação da Universidade de Coimbra como Património Mundial da Humanidade como uma “homenagem à cultura portuguesa e à cidade de Coimbra”.

O “reconhecimento internacional do admirável conjunto de edifícios” da Universidade é também uma “homenagem à cultura portuguesa e à cidade de Coimbra, que se define pela sua profunda ligação à ancestral instituição académica, lê-se numa mensagem assinada por Cavaco Silva e publicada no “site” da Presidência da República.

Esta mensagem de felicitações foi enviada pelo Presidente ao Reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, e ao presidente da câmara, João Paulo Barbosa de Melo, horas depois de ser anunciada a decisão da UNESCO, na reunião do Comité de Património Mundial, em Pnhom Penh, no Camboja.

A Universidade de Coimbra, que a partir de agora “atrai de forma mais intensa os olhos do Mundo”, continua a ser, “ao fim de largos séculos de história, uma instituição de referência internacional, pautando-se pelo rigor do ensino, pela excelência dos resultados e pelo prestígio dos seus académicos e investigadores”, escreve ainda.

“A inscrição na lista do Património Mundial constitui um natural motivo de orgulho para a cidade de Coimbra e para toda a comunidade académica. Associo-me, em nome de todos os portugueses, ao júbilo por este feliz acontecimento e felicito todos os que se empenharam na candidatura”, afirma Cavaco Silva.

"Estaremos à altura do que nos é pedido”, João Paulo Barbosa de Melo, presidente da Câmara Municipal de Coimbra

O presidente da Câmara de Coimbra afirma ser com “imenso orgulho, profunda alegria e sentido de responsabilidade” que o município acolhe a classificação da Universidade Alta e Sofia como Património da Humanidade”.

Coimbra, “a sua universidade”, e “o país, são agora responsáveis por património classificado, que não é apenas seu, mas pertença da humanidade”, sublinha, numa nota, João Paulo Barbosa de Melo. “O esforço que envolveu muita gente, ao longo de 15 anos, para se alcançar este estatuto e se colocar a Universidade no mapa do património mundial chegou ao fim com o maior sucesso”, mas, alerta o autarca, começa agora uma nova fase. “Iniciamos hoje uma nova era, em que o trabalho de valorizar e preservar este património será ainda mais árduo, mas não tenho dúvida de que estaremos à altura do que nos é pedido”, assegura.

A preservação e reabilitação do património classificado é uma “responsabilidade de todos”, sublinhou, à Lusa, João Paulo Barbosa de Melo, defendendo que essa tarefa compete a “todos”, à autarquia, naturalmente, mas também à administração central, exemplificou.

"É um contrato para o futuro assumido por Coimbra", Nuno Lopes, coordenador da candidatura de 2004 a 2012

Foi com “contentamento e grande emoção” que Nuno Lopes recebeu este sábado nos Açores, onde actualmente é o responsável governamental com a tutela da Cultura, o anúncio feito pela UNESCO da inscrição da Universidade de Coimbra na lista de Património da Humanidade

“A candidatura não é a simples elaboração de um processo, é sobretudo a definição de uma estratégia e um contrato para o futuro assumido por Coimbra com a Humanidade”, declarou ao PÚBLICO o responsável pelo projecto de candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial e coordenador do respectivo gabinete desde o seu início em 2004 até assumir, em Novembro de 2012, o cargo de director regional da Cultura nos Açores, dez meses depois da entrega de todo processo de candidatura.  

O arquitecto Nuno Lopes recorda que a candidatura foi um “processo muito complexo que teve como mérito principal agregar a cidade, a universidade e as instituições de Coimbra à volta de uma bandeira: a definição de uma estratégia para o futuro”. O resultado agora anunciado foi “o corolário de um profundo e complexo trabalho conseguido com a participação de muita gente, de uma enorme equipa multidisciplinar”, acrescenta. O parecer da ICOMOS é “completamente inequívoco, ao reconhecer o excepcional valor universal do bem que Portugal candidatou” – o núcleo histórico da Universidade de Coimbra e da Rua da Sofia – à classificação de Património Mundial.


Uma cidade que “precisa de uma nova energia”, Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura

É um “motivo de grande satisfação” para os portugueses a “valorização e o reconhecimento” pela UNESCO da Universidade de Coimbra como Património Mundial da Humanidade.

“Felizmente”, Portugal tem obtido ao longo dos anos várias classificações da UNESCO a nível de património da humanidade: “Já temos um conjunto de referências no território”, como Angra do Heroísmo, Évora, os centros históricos do Porto e Guimarães.

Sobre a classificação da Universidade de Coimbra, Barreto Xavier afirmou à Lusa que vai valorizar “uma rede que já conta com outras classificações na região Centro”, nomeadamente os mosteiros da Batalha e de Alcobaça e o convento de Cristo, em Tomar. Por outro lado, valoriza o centro histórico de Coimbra, uma cidade que “precisa de uma nova energia”. “As dinâmicas históricas das últimas décadas, na competitividade global do território, não têm favorecido Coimbra”, lamentou.

Para o secretário de Estado, esta “valorização de Coimbra é extremamente útil para a região Centro, para a cidade e para o reconhecimento não só da Universidade de Coimbra, mas do sistema universitário”.

"As universidades brasileiras reconhecem a Universidade de Coimbra com a sua alma mater”, Seabra Santos, reitor da UC que lançou a candidatura
O antigo reitor da Universidade de Coimbra Seabra Santos (2002-2010), responsável pelo lançamento da candidatura da instituição a Património Mundial da Humanidade, disse que o reconhecimento da UNESCO foi a “recompensa” a um bem que todos sabiam ter “esse estatuto”.

“Estou imensamente satisfeito. E recompensado. Esta classificação não significa que a universidade não seja do século XXI. É uma universidade do século XXI, mas também com uma história e um passado”, disse Seabra Santos à Lusa. “É uma enorme mais-valia para a universidade e para a cidade. É uma forma de alicerçarmos o futuro em bases mais sólidas”, explicou.

Seabra Santos recordou que o processo de preparação, longo, foi um “objectivo em si”. “Recordo que, há 10 anos, o pátio central da Universidade de Coimbra era um imenso estacionamento, com 250 carros por dia”, disse.

O antigo reitor admitiu ter ficado sensibilizado com a posição de alguns delegados da UNESCO, hoje, no Camboja, realçando o México, Índia e Brasil. “Cheguei a ficar emocionado com alguns testemunhos, como o do delegado do México. Teve uma posição central na decisão final”, continuou.

O antigo reitor aludiu ainda à posição dos delgados indianos, que realçaram a importância da Universidade de Coimbra na divulgação da língua portuguesa naquele território, e da representação brasileira, que reconhecem “Coimbra como a sua alma mater”. “As universidades brasileiras reconhecem a Universidade de Coimbra com a sua alma mater. A influência do Brasil do mundo não está alheia a este desfecho”.

Este reconhecimento é agora uma “responsabilidade maior” para Portugal, mas também uma janela para um olhar diferente sobre a “conservação dos bens” e para a “intervenção sobre o património”.