Alunos do 4.º ano melhor colocados a Matemática do que em Leitura

Em três estudos internacionais, os alunos portugueses de nove anos conseguiram ficar acima da média.

Foto
Por causa da Páscoa, o 3.º período de aulas vai ser mais curto Foto: Nelson Garrido

Dos 50 países que participaram no estudo que avalia o desempenho em Matemática e Ciências – Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS) –, Portugal ficou, respectivamente, em 15.º e 19.º lugar.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Dos 50 países que participaram no estudo que avalia o desempenho em Matemática e Ciências – Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS) –, Portugal ficou, respectivamente, em 15.º e 19.º lugar.

O desempenho em leitura foi avaliado pelo estudo Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS), em que Portugal participou pela primeira vez, tendo também aqui ficado em 19.º lugar. Ambos os estudos são realizados pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA).

Aos 15 anos, os alunos portugueses tinham, em 2009, conseguido melhores desempenhos em leitura do que em Matemática ou Ciências no PISA (Programme for International Student Assessment), um estudo da OCDE que visa aferir a literacia dos jovens desta idade nestes três domínios. Em 33 países, Portugal ficou, respectivamente, em 21.º, 26.º e 24.º lugar.

No âmbito do TIMMS e do PIRLS foi também avaliado o desempenho dos alunos do 8.º ano. Em 2011, o contributo de Portugal limitou-se ao 4.º ano. Participaram cerca de quatro mil alunos de 150 escolas.

Por comparação a 1995, o último ano em que os alunos portugueses deste nível foram avaliados pelo TIMMS, Portugal está no pequeno grupo de países que apresenta melhorias no desempenho dos seus estudantes, tendo ficado acima da média tanto em Ciências como em Matemática. Em 1995 ficou abaixo, tendo então ficado entre os cinco últimos colocados.

O Ministério da Educação e Ciência atribui a melhoria à “pressão por uma maior exigência por parte da sociedade civil, a introdução de uma avaliação continuada, através de provas de aferição no primeiro ciclo, e um maior controlo sobre os manuais escolares”. Em comunicado, o MEC destaca, contudo, que nos três estudos “mais de metade dos alunos portugueses não conseguem ultrapassar o nível intermédio, o segundo mais baixo em quatro níveis”.

Isto quer dizer, acrescenta-se na nota, “que em Ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos; em Matemática, podem conseguir aplicar conhecimentos básicos em situações de resolução imediata, mas não têm domínio desses conhecimentos suficiente para resolver problemas; e em leitura, podem ser capazes de fazer inferência directa, mas não têm fluência suficiente de fazer inferências e interpretações baseando-se no texto”.

Considerando que ainda há muito a fazer, o MEC frisa que “a avaliação externa é um factor fundamental para o progresso de qualquer sistema de ensino”, lembrando, a propósito, que este ano lectivo, “pela primeira vez, os alunos de todos os ciclos de ensino realizam provas finais e exames, que permitem ter um melhor conhecimento do sistema”.

No ano passado, os alunos do 6.º ano realizaram pela primeira vez exames que contam para a nota final. Em 2013 será a vez do 4.º ano estrear-se nestas provas.

Às 19h36, os relatórios portugueses foram substituídos pelos originais, uma vez que os primeiros continham incorrecções identificadas pelo Ministério da Educação e Ciência