As irmãs que coleccionam pulseiras de Paredes de Coura

Catarina e Armanda são duas das muitas (e dos muitos) fãs de Coura que têm os pulsos cobertos por estas fitinhas coloridas. Tudo porque "o Paredes é especial". É um festival que "vale sempre a pena"

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Catarina tinha 16 anos quando foi pela primeira vez ao festival Paredes de Coura. Estreou-se em grande numa edição de luxo, a de 2005. Viu Queens of the Stone Age, The Bravery, Pixies, Arcade Fire, Foo Fighters, entre outros. O concerto da banda de Dave Grohl "foi um momento marcante", apesar de não se enquadrar no seu estilo musical.

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Catarina tinha 16 anos quando foi pela primeira vez ao festival Paredes de Coura. Estreou-se em grande numa edição de luxo, a de 2005. Viu Queens of the Stone Age, The Bravery, Pixies, Arcade Fire, Foo Fighters, entre outros. O concerto da banda de Dave Grohl "foi um momento marcante", apesar de não se enquadrar no seu estilo musical.

A irmã — Armanda — estreou-se no festival em 2006. Uma edição que contou com concertos de Bloc Party, Yeah Yeah Yeahs, Eagles of Death Metal e Bauhaus, por exemplo. A pulseira continua no pulso direito, actualmente coberto com estas lembraças do festival. Já Catarina admite que teve mesmo de retirar a maior parte delas. "Trabalho numa farmácia e estou em contacto directo com o público e por vezes o aglomerado de pulseiras não é bem aceite", observa. 

Entre música e experiências, a conversa desenrola-se pelo inevitável "ambiente fantástico". Guardam todos os objectos relacionados com a música: desde as pulseiras até às t-shirts. "Não podemos negar que o Paredes é especial, por isso gostamos de guardar estas coisas", assinala Catarina. Mas, pelos vistos, não são as únicas: "já reparámos que alguns fãs também o fazem".

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Catarina estreou-se no festival em 2005, Armanda em 2006 Fernando Veludo/nFactos

Gostam do ambiente, do rio, da paisagem, da ida diária à vila e da música. Mas admitem: "o Paredes de Coura mudou". "Nota-se uma maior adesão de pessoal mais novo", explicam. E não é apenas o ambiente — "há uma cultura diferente relativamente à música", uma vez que "a música alternativa acabou por se expandir bastante". Bandas que "antigamente seriam desconhecidas, agora atingem uma maior dimensão", esclarecem. E se nas edições de 2005 e 2006 "havia uma tentativa de apanhar vários estilos musicais", os cartazes mais recentes "estão mais direccionados para um estilo", que Catarina confessa não saber definir. 

Paredes de Coura é "o festival"

Há algo que não muda em Paredes de Coura: continua a ser um festival intimista. Uma "magia que se mantém" nos concertos e no espaço do acampamento. Armanda descreve a sua "rotina do Paredes de Coura": ficar com lama depois de estar na fila para tomar banho, a odisseia de entrar numa Toi Toi e até a chuva habitual.

Depois, há modas que vão e vêm. Persistem os vários gritos de guerra que percorrem o acampamento, mas há também acessórios, cartazes ou mascotes que quase já fazem parte do festival. "Lembro-me de uma moda curiosa: houve uma edição em que se via uma ou outra pessoa com um chapéu ao estilo do Pete Doherty", mas no ano seguinte, quando os Babyshambles estiveram em Paredes de Coura, em 2007, "foi um 'boom', via-se imensa gente com esses chapéus", recorda Armanda, actualmente estudante na Universidade do Porto.

As duas irmãs partilhavam uma espécie de ritual. Antes do festival começar, "o pessoal ia todo para o fórum para saber qual era a cor da pulseira" e nunca acertavam. Como são de perto de Paredes de Coura, montavam a tenda no campismo antes do festival começar; acabavam por ser das primeiras a divulgar no fórum qual era a cor eleita.

Ambas continuam a eleger o Paredes de Coura como "o festival". Os fãs de outros festivais de música que as desculpem, mas "o Paredes é especial". Porque, "no final", depois de desilusões em palco ou agradáveis surpresas, "o festival vale sempre a pena".