Faculdade propõe que alunos se endividem na CGD para pagarem propinas

Na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa existem cerca de 250 alunos com dívidas que atingem os 250 mil euros

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Os alunso com dívidas podem ser impedidos de fazer exames Paulo Pimenta

O presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, José Duarte, enviou uma carta aos 2300 alunos da instituição na qual sugere que quem não consegue pagar as propinas faça um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos, que dispõe de uma linha de financiamento específica para o ensino superior.

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O presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, José Duarte, enviou uma carta aos 2300 alunos da instituição na qual sugere que quem não consegue pagar as propinas faça um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos, que dispõe de uma linha de financiamento específica para o ensino superior.

José Duarte explicou ao "Diário de Notícias" que na faculdade existem cerca de 250 alunos com dívidas que atingem os 250 mil euros (mil euros por aluno), verba que deveria assegurar o pagamento dos salários dos docentes até Julho, já que tal não é possível apenas com as verbas do Orçamento do Estado, que foram reduzidas.

Os devedores estão mesmo em risco de ser impedidos de fazer exames e outros actos académicos. A carta do presidente da faculdade gerou polémica na associação de estudantes e nas redes sociais, com os alunos a acusarem a instituição de estar a promover o sobreendividamento dos estudantes.

José Duarte refere que, no caso dos alunos com mais carências, a faculdade tem um plano especial de pagamentos que prevê um prazo mais alargado.

Por seu lado, o reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Cruz Serra, preferiu não comentar a situação, alegando que a faculdade dispõe de autonomia neste tipo de matérias. 

A Faculdade de Arquitectura desconhece quantos estudantes terão já aceitado a sugestão e contraído um crédito junto da CGD, com uma taxa de juro de 3% a três meses.

Texto actualizado às 16h10 do dia 6 de Julho de 2012 com a inclusão do plano especial de pagamentos para alunos mais carenciados.