Daniel Ortega reeleito na Nicarágua

Foto
Oposição conservadora acusa Ortega de ter manipulado processo eleitoral Diana Ulloa/Reuters

Numa altura em que apenas 18% dos boletins de voto em todo o país estavam contados, Ortega - que cimentou o seu poder com planos de ajuda aos mais pobres - obtinha 63,7% de resultados favoráveis.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Numa altura em que apenas 18% dos boletins de voto em todo o país estavam contados, Ortega - que cimentou o seu poder com planos de ajuda aos mais pobres - obtinha 63,7% de resultados favoráveis.

O maior rival de Ortega, Fabio Gadea - homem de negócios e personalidade da rádio - obtinha apenas 29 por cento dos votos com o mesmo número de boletins contados.

A oposição acusa, porém, Daniel Ortega de ter manipulado o processo eleitoral e de ter tornado difícil o processo de voto para os conservadores do país.

Houve igualmente alguns episódios de violência durante a jornada eleitoral. Nove pessoas ficaram feridas em confrontos que decorreram no norte da Nicarágua. Nas ruas de Manágua, a capital, centenas de pessoas começaram logo ontem a festejar a vitória de Ortega.

Nos últimos cinco anos, Ortega conseguiu que o seu país entrasse num período de relativo progresso económico, em grande parte graças aos fundos disponibilizados pelo seu aliado socialista Hugo Chávez, o Presidente da Venezuela.

Ortega sobreviveu a uma rebelião apoiada pelos EUA na década de 1980 e foi arredado do poder em 1990. Porém, desde que regressou à governação do país, em 2007, Ortega tem levado a cabo importantes planos de melhoramento nos domínios da saúde, educação e agricultura.

Apoiado pela Venezuela, Ortega conseguiu reduzir os índices de pobreza nesta nação fortemente agrária, ao mesmo tempo que dá liberdade ao sector privado para operar livremente. A taxa pobreza caiu para 57%, dos 65,5% registados em 2005, de acordo com estatísticas do Banco Mundial. Apesar disso, a Nicarágua continua a ser o segundo país mais pobre do mundo no Hemisfério Ocidental.

Os críticos de Ortega alegam, porém, que ele se quer eternizar no poder, como um ditador, e que está demasiado dependente da Venezuela.

A relação de Ortega com os EUA mantém-se tensa e o governo norte-americano já fez saber que está preocupado com as eventuais irregularidades ocorridas nestas eleições, incluindo a dificuldade que alguns eleitores tiveram quando tentaram registar-se.