Polémica em Espanha sobre remoção do corpo de Franco do Vale dos Caídos

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O Vale dos Caídos é um memorial ao franquismo Desmond Boylan/Reuters

Segundo o jornal "El País", a decisão ainda não foi tomada porque há divergências dentro da própria comissão de especialistas, constituída para criar um projecto que transforme um símbolo do franquismo num monumento que represente toda a comunidade. O Valle de los Caídos (Vale dos Caídos) é um memorial franquista, um projecto do próprio, erguido entre 1940 e 1958 para homenagear os nacionalistas mortos durante a Guerra Civil (1936-39). No complexo, que integra uma basílica hoje ocupada por monges beneditinos e que fica a 40 quilómetros de Madrid, estão sepultados 33.872 combatentes e também Franco e o fundador da Falange (o partido político de índole fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Franco), José Antonio Primo de Rivera.

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Segundo o jornal "El País", a decisão ainda não foi tomada porque há divergências dentro da própria comissão de especialistas, constituída para criar um projecto que transforme um símbolo do franquismo num monumento que represente toda a comunidade. O Valle de los Caídos (Vale dos Caídos) é um memorial franquista, um projecto do próprio, erguido entre 1940 e 1958 para homenagear os nacionalistas mortos durante a Guerra Civil (1936-39). No complexo, que integra uma basílica hoje ocupada por monges beneditinos e que fica a 40 quilómetros de Madrid, estão sepultados 33.872 combatentes e também Franco e o fundador da Falange (o partido político de índole fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Franco), José Antonio Primo de Rivera.

A comissão, que começou agora a discutir a questão, e a ler a documentação que existe sobre o Vale dos Caídos, integra juristas, filósofos, historiadores e um monge beneditino, e o desentendimento entre estes poderá atrasar a decisão.

"A opinião da família é de que [o corpo] fique ali, uma vez que se trata de uma basílica", disse à agência Europa Press a filha do ditador, Carmen Franco.

O ministro da Presidência, Ramón Jáuregui, disse publciamente na terça-feira que o Executivo fará o que a comissão recomendar - se defenderem a retirada do corpo, assim será feito e os restos mortais de Franco serão provavelmente levados para junto da sua viúva, no cemitério de El Prado. O ministro disse que há conversações informais com a família nesse sentido; Carmen Franco negou os contactos e garantiu que souberam pela comunicação social.

Ramón Jáuregui considerou que a presença de Franco ali poderá ser "incompatível" com os planos para o futuro do monumento. "Já é altura - disse o ministro - de um ícone da repressão do nacional-catolicismo se converta num espaço para todos e de reconciliação".

A favor da trasladação do corpo está a Associação para Recuperação da Memória Histórica, que tem denunciado os crimes do franquismo. Esta associação considerou, em comunicado, que a presença de Franco no Vale dos Caídos é uma "humilhação" para as vítimas do franquismo, pois "ali repousam os restos de causadores dos desaparecimentos forçados", e pediu que dali saia também Primo de Rivera.

Do outro lado desta luta está a Associação para a Defesa do Vale dos Caídos, defendendo que "Franco deve repousar em paz" e prometendo recorrer aos tribunais se mexerem nos corpos.

O presidente do Congresso, José Bono, depois de dizer que teve a "honra" de lutar contra o ditador quando este era vivo, disse que a polémica é inútil: "O momento de lutar contra Franco não é este, acabou em 1975, quando morreu".