Há 40 anos que não se viam crias de abutre-preto a voar em Portugal

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As crias foram marcadas com um emissor no final de Junho e podem ser monitorizadas Quercus

“Desta vez completou-se o ciclo de reprodução, as crias nasceram e já estão a voar”, disse por telefone ao PÚBLICO Samuel Infante da Quercus. Os abutres fizeram o ninho em azinheiras, colocaram o ovo, as crias nasceram e hoje já batem as asas. Um fenómeno que deixou de acontecer em 1970 devido à morte das aves, à desflorestação, e aos insecticidas usados no campo.

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“Desta vez completou-se o ciclo de reprodução, as crias nasceram e já estão a voar”, disse por telefone ao PÚBLICO Samuel Infante da Quercus. Os abutres fizeram o ninho em azinheiras, colocaram o ovo, as crias nasceram e hoje já batem as asas. Um fenómeno que deixou de acontecer em 1970 devido à morte das aves, à desflorestação, e aos insecticidas usados no campo.

Mas não foi um processo sem dores. Três casais tentaram estabelecer-se cá. Os ninhos dos abutres-pretos são feitos em azinheiras, que têm que ter um porte grande para suportar o peso da estrutura. “Os casais escolheram as árvores maiores, mas mesmo assim não aguentaram totalmente”, disse o ambientalista, explicando estas árvores ainda são relativamente novas. Um dos três ninhos caiu, e o casal não conseguiu reproduzir-se. Os dois outros casais colocaram o ovo, mas os ninhos ruíram parcialmente durante o mês de Junho, já com as crias nascidas.

“Os ninhos são de grande dimensão [pesam centenas de quilos] e devem ser casais jovens que não têm muita experiência a fazer o ninho”, disse Samuel Infante. As crias caíram durante o acidente e a Quercus teve que intervir, levou uma delas para o Centro de Estudos e Recuperação de Fauna Selvagem de Castelo Branco por estar em estado crítico. No lugar dos ninhos, a associação construiu plataformas-ninho para as famílias, que continuam a habitar as árvores.

“Quando há sucesso reprodutor, se não acontecer nada, os casais vão manter-se no território e vão reproduzir-se normalmente”, explica o ambientalista, o que abre portas para o aparecimento de uma nova colónia naquela região.

A Quercus vai construir mais plataformas e mantém naquela zona dois alimentadores onde são colocadas carcaças para alimentar estas aves necrófagas. Um dos problemas em Portugal é que desde o aparecimento da doença das vacas loucas é proibido deixar-se carcaças no campo. O que diminui o alimento dos abutres. Paralelamente há um projecto internacional organizado também pela Quercus para combater a utilização de veneno no campo, que terá um impacto positivo na vida dos abutres.

Quanto às duas crias, Tejo e Aravil, foram marcadas com um emissor no final de Junho e podem ser monitorizadas. Quando abandonarem os ninhos vão viajar. “Nos primeiros anos voam pela Península Ibérica e depois podem voltar ao local de origem.” Portugal.