Tratado de Tordesilhas e Corpo Cronológico inscritos na Memória do Mundo

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A Torre do Tombo guarda o Corpo Cronológico Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)

De entre os 50 dossiers apresentados pelos vários Estados, os peritos escolheram 38 bens.

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De entre os 50 dossiers apresentados pelos vários Estados, os peritos escolheram 38 bens.

O Tratado de Tordesilhas — assinado em 1494 entre as coroas de Portugal e de Castela e que definia a partilha do Novo Mundo entre os dois reinos — foi um dos documentos inscritos no registo Memória do Mundo da Unesco, representando Portugal e Espanha. O original português está no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, e o castelhano encontra-se na Torre do Tombo, em Lisboa.

Portugal fica também representado com o Corpo Cronológico — uma colecção que reúne mais de 80 mil documentos em papel e pergaminho datados dos séculos XV e XVI, guardada na Torre do Tombo.

"Feiticeiro de Oz" e processo contra Madela também escolhidos

Dos Estados Unidos entra na Memória do Mundo o filme "O Feiticeiro de Oz", obra-prima de Victor Fleming produzida pela Metro-Goldwyn-Mayer.

As actas do processo intentado contra o líder anti-apartheid Nelson Mandela representam a África do Sul.

De destacar ainda os arquivos do cineasta Ingmar Bergman e os da família Alfred Nobel e uma colecção de música colonial dos séculos XVI/XVII da América Latina.

França está representada pela tapeçaria de Bayeus — um fresco bordado, com 70 metros, datado do século XI e que representa a conquista da Inglaterra em 1066 por Guilherme, o Conquistador, duque da Normandia.

Criado em 1997, o registo Memória do Mundo contava até hoje com 120 bens protegidos, entre os quais se destacam a partitura original da 9ª Sinfonia de Beethoven e a Bíblia de Gutemberg, bem como a primeira inscrição portuguesa nesse acervo — a carta de Pêro Vaz de Caminha.

Propostas por um comité consultivo composto por 14 peritos internacionais, reunido este ano em Pretória (África do Sul), e validadas pela Unesco, estas inscrições no registo Memória do Mundo visam distinguir e atribuir um reconhecimento internacional de bens do património documental mundial.