Advogado vai emitir um comunicado

Casa Pia: Proença de Carvalho abandona defesa das alegadas vítimas de pedofilia

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Proença de Carvalho Miguel Madeira/PÚBLICO

O advogado Daniel Proença de Carvalho abandonou a defesa das alegadas vítimas de pedofilia da Casa Pia, informou hoje o próprio em comunicado enviado à agência Lusa

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"No cumprimento do dever que me é imposto pelo segredo profissional dos advogados, não revelarei os motivos que me levaram a tomar esta atitude", acrescenta Proença de Carvalho.

O advogado liderava a equipa que representava a Casa Pia e as alegadas vítimas de abuso sexual.

António Pinto Pereira, um dos advogados da equipa de Daniel Proença de Carvalho, disse igualmente à Lusa que perante estas circunstâncias está neste momento a ponderar se deve ou não continuar no caso.

"João Medeiros [outro dos advogados da equipa] e eu estamos neste momento a equacionar se devemos ou não continuar o mandato, tendo em conta as circunstâncias", referiu.

O advogado explicou que a decisão de Proença de Carvalho foi pessoal e nada teve a ver com o funcionamento do grupo.

"A equipa sempre funcionou com a coordenação perfeita e total entrega, sendo superiormente dirigida com profissionalismo, rigor e competência. Não houve qualquer zanga", sustentou.

António Pinto Pereira classificou Proença de Carvalho como uma referência profissional.

Daniel Proença de Carvalho foi convidado em Março de 2003 pelo ministro da Segurança Social, Bagão Félix, para liderar a equipa jurídica que acompanharia os alunos da Casa Pia vítimas de abusos sexuais.

A equipa de apoio jurídico aos alunos alegadamente vítimas de abusos foi disponibilizada pela Ordem dos Advogados e através dela os jovens poderia processar os alegados abusadores.

O processo de pedofilia da Casa Pia de Lisboa tem dez arguidos - três dos quais em prisão preventiva -, acusados de crimes que vão desde o abuso sexual de crianças a lenocínio (favorecimento da prostituição), passando pelo abuso de pessoa internada, acto homossexual com adolescente, peculato de uso e posse ilegal de arma e munições.

A provedora da Casa Pia de Lisboa, Catalina Pestana, já comentou esta notícia, afirmando que Proença de Carvalho alegou motivos pessoais para abandonar a defesa das alegadas vítimas de pedofilia, e lamentou a sua saída do processo.

"O doutor Proença de Carvalho informou-me da decisão ontem, a mim e ao senhor ministro [da Solidariedade e Segurança Social, Bagão Félix], e argumentou motivos pessoais", declarou à agência Lusa Catalina Pestana.

A provedora da Casa Pia lamentou a saída de Proença de Carvalho do processo, mas disse que a equipa de advogados já está a ser reorganizada. "Nós lamentamos muitíssimo, mas estamos a reorganizar a equipa", declarou Catalina Pestana, escusando-se a adiantar quem irá liderar o processo de defesa.