Sobre a raiva

O mais interessante de "Intervenção Divina" é mesmo o modo como lida com todas essas coisas que não pode ignorar, mesmo que tente (ou finja tentar) afastar-se - mas volta-se sempre ao mesmo, é inevitável. A raiva, por exemplo. Não é um filme sobre a razão dos palestinianos (dir-se-ia que o filme se está nas tintas para essa razão), mas sobre a sua raiva, logo apresentada no "kiarostamiano" travelling de carro que serve de sequência inicial. Depois, é sempre uma raiva contida que segura o filme, pontualmente libertada por pequenas explosões de "wishful thinking" vingativo (como o caroço de pêssego que faz explodir um tanque israelita) que resulta tanto melhor quanto Suleiman embebe o filme daquela inexpressiva impassibilidade que vem de Keaton e é hoje cultivada por gente como Iosseliani e Kitano. A comparação talvez não seja favorável a Suleiman, mas isso não menoriza o hipnótico charme desta visita de Mona Lisa a Ramallah.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O mais interessante de "Intervenção Divina" é mesmo o modo como lida com todas essas coisas que não pode ignorar, mesmo que tente (ou finja tentar) afastar-se - mas volta-se sempre ao mesmo, é inevitável. A raiva, por exemplo. Não é um filme sobre a razão dos palestinianos (dir-se-ia que o filme se está nas tintas para essa razão), mas sobre a sua raiva, logo apresentada no "kiarostamiano" travelling de carro que serve de sequência inicial. Depois, é sempre uma raiva contida que segura o filme, pontualmente libertada por pequenas explosões de "wishful thinking" vingativo (como o caroço de pêssego que faz explodir um tanque israelita) que resulta tanto melhor quanto Suleiman embebe o filme daquela inexpressiva impassibilidade que vem de Keaton e é hoje cultivada por gente como Iosseliani e Kitano. A comparação talvez não seja favorável a Suleiman, mas isso não menoriza o hipnótico charme desta visita de Mona Lisa a Ramallah.