“Para mim não é um hotel, é uma casa de família”

António Pereira nasceu numa aldeia a poucos metros da casa onde nasceu a irmã Lúcia. Foi aliás a intervenção desta que lhe permitiu continuar a estudar até à universidade. Já Clara e Sérgio Patrício nasceram respectivamente na ilha do Pico e em Angola, mas vieram até esta cidade no centro do país devido ao apelo de Nossa Senhora de Fátima. Em comum, os três têm o facto de estarem à frente de negócios de hotelaria e restauração situados praticamente ao lado do Santuário de Fátima.

Na Residência Silva, que o casal Patrício gere há dois anos, os hóspedes deixaram de ser apenas os portugueses e passaram a vir sobretudo de Espanha, Itália e Polónia. A recebê-los estão os dois elementos deste casal, que gerem ainda dois restaurantes e outra residencial em Fátima.

Para Clara, que conta que com três anos ia a pé à missa todos os dias, não é indiferente viver tão perto do Santuário. Era um desejo antigo e há oito anos finalmente conseguiu cumpri-lo, quando ela e o marido abriram um restaurante na cidade. “Agora dizem-me que, mais perto, só dentro do Santuário e devo-o a Nossa Senhora”, revela com emoção.

Sérgio, que em jovem foi missionário católico durante vários anos e em vários continentes, também sente uma certa responsabilidade pela sua condição de vizinho do Santuário: “Eu estou, por assim dizer, na casa de Nossa Senhora e isso mexe muito com a nossa consciência, com o nosso dia-a-dia. Tentamos levar uma vida mais ligada às coisas do bem em detrimento das coisas do mal.”

No outro lado, no lado a norte do Santuário, fica o Hotel Aleluia, gerido por António Pereira e Maria da Luz. O edifício foi construído pelo pai da mulher do casal, que raramente vemos quieta nos espaços do hotel. É a responsável por manter tudo em ordem e a funcionar. António confirma, e é o primeiro a dizer que não se assume como hoteleiro. Prefere intitular-se de “public relations”, o relações-públicas do espaço. Encontramo-lo na recepção, onde não perde uma oportunidade de dar indicações aos hóspedes do hotel ou de arriscar novas palavras em línguas estrangeiras.

É por isso que afirma que o Hotel Aleluia, que tem 49 quartos, é mais do que um hotel. “É uma casa de família”, resume António. Para sustentar a sua teoria defende que as pessoas não têm a noção exacta de qual é o tipo de hóspede que procura alojamento em Fátima. “São pessoas sedentas de amizade, de conversa, de carinho”, afirma.

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