Algarve aproxima Portugal da linha vermelha da transmissibilidade

Região algarvia com números de novos casos de covid-19 e de transmissão do coronavírus acima da média nacional, alertam Direcção-Geral da Saúde e Instituto Ricardo Jorge no relatório de monitorização das linhas vermelhas para o desconfinamento.

Foto
Rui Gaudêncio

A região do Algarve neste momento é a maior fonte de preocupação para as autoridades de saúde na gestão do desconfinamento, com o único valor de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 superior a 1, uma das linhas vermelhas indicadas pelo Governo para retroceder no processo de reabertura do comércio, ensino e outras actividades. Esta é uma das conclusões do relatório de monitorização das linhas vermelhas para a covid-19, publicado este sábado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (Insa).

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A região do Algarve neste momento é a maior fonte de preocupação para as autoridades de saúde na gestão do desconfinamento, com o único valor de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 superior a 1, uma das linhas vermelhas indicadas pelo Governo para retroceder no processo de reabertura do comércio, ensino e outras actividades. Esta é uma das conclusões do relatório de monitorização das linhas vermelhas para a covid-19, publicado este sábado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (Insa).

A nível nacional, a incidência de novos casos de covid-19 por cada 100 mil habitantes a sete dias continua a diminuir (65,9), com igual reflexo nas regiões, salvo o Algarve, com 112 novos casos por cada 100 mil habitantes, muito à frente dos valores registados no Norte (53), Centro (49), Lisboa e Vale do Tejo (73) e Alentejo (72). O índice de transmissibilidade, o R(t), permanece abaixo de 1 a nível nacional (0,97), embora esteja a aumentar desde 10 de Fevereiro. No plano regional, o Algarve é novamente excepção, com um valor de 1,19.

O grupo etário com maior incidência é o dos 20 aos 29 anos, com 93 novos casos por 100 mil habitantes. Entre os mais idosos, com mais de 80 anos, este valor está nos 51. 

Os internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) no Continente continuam a decrescer. Segundo os dados deste sábado da DGS, estavam internadas 126 pessoas em UCI, um valor inferior ao nível crítico definido de 245 camas ocupadas.  

A proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 2,0% entre os dias 25 e 31 de Março. Este valor representa metade do nível de risco estabelecido de 4%. Nos últimos sete dias foram realizados 152.695 testes em Portugal. 

Todos os casos de infecção por SARS-CoV-2 notificados nos últimos sete dias foram isolados em menos de 24 horas. Foram igualmente rastreados e isolados 91,5% dos contactos correspondentes.

A chamada variante britânica do coronavírus, a B.1.1.7, representa actualmente 70,6% dos casos de infecção por SARS-CoV-2 no continente. Foram diagnosticados 50 casos da variante sul-africana, a B.1.351. “Não foi possível estabelecer o contexto de transmissão de alguns casos”, diz o relatório, “o que sugere a possibilidade de transmissão comunitária, ainda que de muito baixa expressão”.

“A análise global dos diversos indicadores sugere uma situação epidemiológica controlada, ou seja, transmissão comunitária de moderada intensidade e de reduzida pressão nos serviços de saúde nas próximas semanas”, conclui-se, com a DGS e o Insa a alertarem contudo para a evolução dos números do Algarve e com o possível impacto de eventuais convívios familiares durante o período pascal, o que demorará algumas semanas a tornar-se visível.