A sede no mundo: uma pandemia menos mediática

A pandemia de covid-19 não é a única que atormenta o ano de 2021. No reino de eSwatini, em África, as pessoas estão a consumir água não potável com doenças que não conseguem combater.

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Manki Kim/Unsplash

Neste dia 22 de Março celebramos o Dia Mundial da Água. Não querendo pautar o início deste texto com um tom de falta de esperança, a pandemia da covid-19 não é a única que atormenta o ano de 2021. Talvez seja das que mais directamente nos afecta nos dias que correm mas, noutros cantos do mundo, como no reino de eSwatini, as prioridades são diferentes.

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Neste dia 22 de Março celebramos o Dia Mundial da Água. Não querendo pautar o início deste texto com um tom de falta de esperança, a pandemia da covid-19 não é a única que atormenta o ano de 2021. Talvez seja das que mais directamente nos afecta nos dias que correm mas, noutros cantos do mundo, como no reino de eSwatini, as prioridades são diferentes.

No reino de eSwatini, um país com cerca de um milhão de habitantes, entre Moçambique e a África do Sul, os indivíduos (geralmente crianças ou mulheres) têm de caminhar cerca de cinco quilómetros por dia para encontrar água, que depois carregam às costas em jerrycans de 15 litros. E perguntam: água potável? De confiança? A resposta é negativa: estas crianças e mulheres passam metade do seu dia a ir buscar água que frequentemente é um berço de doenças, capaz de tirar a vida a muitos dos seus consumidores.

É o país com maior prevalência de SIDA do mundo, que, quando não tratada, enfraquece o sistema imunitário das pessoas e, portanto, retira a sua capacidade de combater doenças. Percebemos, assim, que o que acontece no reino de eSwatini é que as pessoas estão a consumir água não potável com doenças que não conseguem combater. Agora, uma dessas doenças é a covid-19, que tem visto os seus casos a aumentar neste país. Sem água, não há como lavar as mãos com a frequência que a prevenção do contágio da covid-19 exige.

Que problemas é que esta pandemia de falta de acesso à água potável acarreta?

Ora, além da questão óbvia da mortalidade aumentada, traz inúmeros problemas sociais e económicos. As crianças a quem é incutida a responsabilidade de ir buscar água não têm tempo para ir à escola. As mulheres com a mesma tarefa não têm nem tempo para uma educação nem para um emprego e ficam, portanto, dependentes de quem as sustenta. Numa população com imenso potencial vemos os sonhos e as vontades limitados por um problema que nos parece difícil de conceber - a falta de acesso a água limpa.

Nesta realidade tão diferente da nossa, em que os direitos e as oportunidades deveriam ser os mesmos, o que podemos fazer?

Devemos educar-nos em relação a este problema, a esta pandemia de falta de acesso à água potável. Podemos ajudar associações que estão em contacto com as comunidades que precisam de água, como o Thirst Project Portugal. Através do Thirst Project Portugal, podem contribuir para a construção de furos que permitem o acesso rápido a água potável, quer através de doações quer através da participação nas actividades frequentemente organizadas e divulgadas nas páginas de Instagram, Facebook, LinkedIn e, agora, TikTok.

Sem deixar de combater a pandemia da covid-19, façamos o que podemos para acabar com a sede no mundo.