Covid-19. Portugal pode atingir critérios de desconfinamento a meio de Março, prevêem peritos da Nova

Portugal poderá baixar o número de novos casos e internamentos para níveis abaixo dos critérios indicados para o desconfinamento já a 14 de Março, segundo as projecções da Nova IMS e da COTEC Portugal. Nessa altura, o Rt poderá ser inferior a 0,7.

Foto
Nuno Ferreira Santos

Portugal poderá cumprir os critérios para o desconfinamento – com a redução dos novos casos de covid-19 e dos internamentos em enfermaria geral e unidades de cuidados intensivos – a meio de Março, de acordo com uma estimativa da Faculdade de Gestão de Informação da Universidade Nova (Nova IMS) e da COTEC Portugal.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Portugal poderá cumprir os critérios para o desconfinamento – com a redução dos novos casos de covid-19 e dos internamentos em enfermaria geral e unidades de cuidados intensivos – a meio de Março, de acordo com uma estimativa da Faculdade de Gestão de Informação da Universidade Nova (Nova IMS) e da COTEC Portugal.

Segundo as projecções, reunidas no site Covid-19 Insights, no dia 14 de Março o número de novos casos diários poderá aproximar-se dos 140 novos casos de infecção, em linha com o critério de segurança para o desconfinamento, de 366 casos diários. Este critério é indicado pela NOVA e pela COTEC Portugal como sendo o valor que permite reabrir a sociedade com segurança.

Neste cenário, o total de internados deverá rondar os 1400 (abaixo dos 1500 apontados como critério para desconfinamento) e o número de doentes em unidades de cuidados intensivos não deverá ser superior a 240 – inferior ao critério de 242 internados (Marcelo Rebelo de Sousa definiu como “meta” para o desconfinamento 200 camas de cuidados intensivos ocupadas com doentes com covid-19).

Foto

Ainda de acordo com as duas entidades, o Rt (ou taxa que mede a transmissão do vírus) deverá, nessa data, ser inferior a 0,7, “podendo descer abaixo de 0,6 a partir do início de Março, o que indicia que a incidência continuará em fase descendente”, lê-se num comunicado enviado às redacções.

“Tudo indica que, a meio do mês de Março, teremos atingido os patamares de segurança que nos permitem começar a levantar as restrições à mobilidade dos cidadãos”, afirmou o presidente do Conselho Científico da NOVA IMS e coordenador deste projecto, Pedro Simões Coelho, citado naquela nota. “É importante, no entanto, lembrar que o desconfinamento deverá ser, idealmente, progressivo, iniciando-se por actividades de menor risco e avançando para actividades de risco progressivamente maior.”

Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que o confinamento se irá manter pelo menos até à Páscoa, que se assinala, este ano, a 4 de Abril. O Presidente falava à nação a propósito da renovação do estado de emergência, por mais duas semanas.

Marcelo afirmou que “desconfinar a correr por causa dos números destes dias será tão tentador quanto leviano” e sublinhou que era “uma questão de prudência e segurança”, acrescentando ainda que “abrir sem critério antes da Páscoa, para nela fechar logo a seguir, e voltar a abrir depois dela” seria errado.

Acresce que, neste momento, “o número de internados ainda é quase o dobro do indicado pelos intensivistas” e que o número de doentes em cuidados intensivos “é mais do dobro do aconselhado, para evitar riscos de novo sufoco”.