Marcelo é taxativo: “Sá Carneiro morreu num atentado”

É o primeiro Presidente da República em exercício a declarar que Sá Carneiro não morreu na sequência de um acidente.

Foto
Presidente da República contraria as conclusões da justiça portuguesa no caso do acidente de Camarate LUSA/RUI OCHOA/PR

Quatro décadas depois da morte de Francisco Sá Carneiro, o Presidente da República em exercício declara que o antigo primeiro-ministro morreu na sequência de um atentado e não de um acidente, um depoimento que contraria as conclusões da justiça portuguesa. É a primeira vez que um Presidente da República em funções faz uma declaração em que assume que a morte do antigo primeiro-ministro se deve a um atentado, “embora não dirigido necessariamente a Francisco Sá Carneiro”.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Quatro décadas depois da morte de Francisco Sá Carneiro, o Presidente da República em exercício declara que o antigo primeiro-ministro morreu na sequência de um atentado e não de um acidente, um depoimento que contraria as conclusões da justiça portuguesa. É a primeira vez que um Presidente da República em funções faz uma declaração em que assume que a morte do antigo primeiro-ministro se deve a um atentado, “embora não dirigido necessariamente a Francisco Sá Carneiro”.

Numa mensagem dirigida ao programa desta sexta-feira do Expresso da Meia-Noite da SIC-Notícias, dedicado aos 40 anos da morte de Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa afirma ser sua convicção de que o antigo primeiro-ministro foi vítima de um atentado. “Formei uma convicção como cidadão que mantenho de que não se tratou de um acidente”, declarou o chefe de Estado, lamentando que a “última decisão da justiça não tenha podido contar por causa do tempo com mais dados probatórios e assim essa última decisão tenha dito que não havia provas suficientes para apontar para o atentado, mas não havia provas suficientes também para apontar para o acidente”.

O testemunho do Presidente da República ao Expresso da Meia-Noite mostra que “ficou por definir a verdade em termos jurisdicionais acerca da morte de Francisco Sá Carneiro e de todos aqueles que o acompanhavam”.

 Antes, na cerimónia de homenagem a Francisco Sá Carneiro, que decorreu esta sexta-feira, no Grémio Literário, em Lisboa, e que juntou muitos dos antigos líderes e primeiros-ministros do PSD, bem como antigos presidentes do CDS, o Presidente da República assumiu ser “muito frustrante ter de admitir que o tempo acabou por não facilitar uma decisão jurisdicional com mais sedimentada base probatória”, o que o teria “aquietado” como cidadão “qualquer que ela fosse".

Na sessão, a pretexto do livro 40 anos, 40 testemunhos sobre Sá Carneiro, promovido pela JSD, o chefe de Estado falou como “amigo, militante e Presidente da República”. E assumiu dois traços, que avultam da memória de Sá Carneiro, um positivo e um negativo. “Um negativo: “o pesar que não me abandona, enquanto cidadão, de a nossa democracia nunca ter podido, no plano jurisdicional, carrear dados probatórios bastantes para se provar se Camarate foi acidente ou foi crime”, disse, recordando que teve a oportunidade de acompanhar sucessivas comissões de inquérito como representante da família de António Patrício Gouveia.

Lembrando a sua amizade desde o final dos anos 60, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu Sá Carneiro como “uma irrequieta e inquieta força da natureza” e “um homem de coragem”.

Já no testemunho ao Expresso da Meia-Noite, o chefe de Estado deixou elogios ao antigo primeiro-ministro, considerando-o um dos “pais civis da nossa democracia” e recordou-o como o fundador de um"partido estruturante e essencial da nossa democracia”. “O estilo político de agir que correspondia à sua maneira pessoal de ser na coragem, na frontalidade, na ruptura na visão, na inteligência felina, na capacidade de liderar e depois na cultura. Era um homem muito culto”, conclui, sem antes enaltecer as"características fundamentais" do fundador do PSD que - assinalou - “o deixam como um marco fundamental também na democracia portuguesa”.