Iniciativa Liberal condena regime opressivo e pede eleições livres na Bielorrússia

O partido liderado por João Cotrim Figueiredo diz que a actuação de Lukashenko assenta na força e na intimidação, contando com o apoio das forças militares.

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João Cotrim Figueiredo preside à Iniciativa Liberal Nuno Ferreira Santos

A Iniciativa Liberal apresentou um voto de condenação pela “violação flagrante dos mais básicos princípios democráticos e desrespeito pela livre determinação” da população na Bielorrússia, defendendo que o parlamento português apele “à realização de eleições livres naquele país”.

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A Iniciativa Liberal apresentou um voto de condenação pela “violação flagrante dos mais básicos princípios democráticos e desrespeito pela livre determinação” da população na Bielorrússia, defendendo que o parlamento português apele “à realização de eleições livres naquele país”.

Num texto a que a agência Lusa teve acesso, o partido representado no parlamento pelo deputado único, João Cotrim Figueiredo, refere que as eleições na Bielorrússia em 9 de Agosto “ficaram manchadas por mais uma manobra antidemocrática do Presidente do país, Aleksander Lukashenko.

“Aquilo a que temos assistido, ao longo das últimas semanas, na Bielorrússia, representa um inadmissível atropelo ao alicerce de qualquer sociedade democrática: a liberdade política, assente em eleições em que a população exprima livremente a sua vontade em sufrágio directo e universal”, condena.

Assim, os liberais propõem que o parlamento português condene “o actual regime bielorrusso, autocrático e opressivo”, demonstre “preocupação pela situação de violência vivida na Bielorrússia” e apele “à realização de eleições livres naquele país”.

Em causa, segundo a Iniciativa Liberal, estão eleições “em que o autocrata bielorrusso teve forte oposição”, mas “os resultados oficiais anunciaram a sua reeleição com uns implausíveis 80,22% dos votos”, o que resultou numa “revolta de grande parte da população bielorrussa”.

“O Partido Democrático prontamente impugnou os resultados e expôs a fraude eleitoral levada a cabo pelo actual presidente. Como é próprio deste tipo de regimes, em que a separação de poderes não existe, a líder da oposição viu-se obrigada a fugir do país no dia seguinte às eleições perante as ameaças a que foi sujeita”, critica.

Segundo o partido liderado por João Cotrim Figueiredo, a actuação de Lukashenko assenta na força e na intimidação, contando com o apoio das forças militares.

“A União Europeia apelou à contagem “precisa” dos votos nas eleições bielorrussas e, condenando a “violência estatal desproporcional e inaceitável”, exigiu a libertação imediata dos manifestantes detidos”, refere ainda.

Os protestos têm sido reprimidos pelas forças de segurança, com milhares de pessoas detidas e centenas de feridos. No domingo, mais de 100 mil pessoas participaram, em Minsk, na terceira marcha pacífica contra Lukashenko, há 26 anos no poder, que propôs mudar a Constituição, mas nega-se a dialogar com o Conselho Coordenador da oposição para uma transferência de poder.