“Esgotamento” de camas obriga Hospital de Vila Franca de Xira a pedir desvio de doentes urgentes

Hospital garante que situação já voltou à normalidade.

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A elevada afluência de utentes ao serviço de urgência e a falta de camas para internamento levou o Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX) a entrar em “contingência máxima” na tarde de segunda-feira. A unidade solicitou transitoriamente o “desvio” de utentes encaminhados pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) para outros hospitais da região de Lisboa, medida que vigorou entre as 20h00 de segunda-feira e as 6h00 de terça-feira. A partir daí, de acordo com fonte oficial do HVFX hospitalar, a situação voltou à normalidade.

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A elevada afluência de utentes ao serviço de urgência e a falta de camas para internamento levou o Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX) a entrar em “contingência máxima” na tarde de segunda-feira. A unidade solicitou transitoriamente o “desvio” de utentes encaminhados pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) para outros hospitais da região de Lisboa, medida que vigorou entre as 20h00 de segunda-feira e as 6h00 de terça-feira. A partir daí, de acordo com fonte oficial do HVFX hospitalar, a situação voltou à normalidade.

Segundo a mesma fonte, o serviço de urgência do hospital “nunca esteve fechado” e, mesmo na fase de “desvio” de doentes para outras unidades, continuou a receber todos os utentes que ali se dirigiram pelos seus próprios meios. Há, no entanto, relatos de doentes que se queixam de demoras elevadas no atendimento.

Na tarde de segunda-feira, perante a ocupação muito elevada dos espaços de internamento e um aumento significativo da afluência à urgência, os responsáveis do HVFX accionaram o “Plano de Contingência” e solicitaram ao CODU e à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que adoptassem o procedimento de “desvio” temporário de doentes urgentes para outras unidades da região. Medida semelhante (prevista na orgânica da rede hospitalar) já foi adoptada a 21 de Janeiro passado e solicitada pelo menos por mais uma vez ao longo do ano pelo HVFX – nesse segundo momento não foi, todavia, aceite porque não existiam alternativas para “drenagem” de doentes.

Agora, o CODU encaminhou os doentes urgentes oriundos dos cinco concelhos servidos pelo HVFX (Alenquer, Arruda, Azambuja, Benavente e Vila Franca) para outras unidades hospitalares durante cerca de 10 horas.

“Existiu uma afluência muito significativa ao Serviço de Urgência, encontrando-se o nível de utentes internados igualmente muito elevado, pelo que o Hospital, em coordenação com a ARSLVT, solicitou ao CODU que, provisória e excepcionalmente, não enviasse mais utentes para o seu Serviço de Urgência. A solicitação para desviar temporariamente os doentes foi totalmente revertida esta madrugada, encontrando-se a situação regularizada”, sustenta um comunicado do HVFX.

Inaugurado em Maio de 2013 e construído no âmbito de uma parceria público-privada (PPP), o Hospital de Vila Franca de Xira tem mais cerca de 60 camas do que a antiga unidade hospitalar vila-franquense, mas a sua capacidade tem-se revelado frequentemente insuficiente para as necessidades da região. A falta de camas de internamento acaba por “afunilar” o funcionamento do Hospital e o problema reflecte-se no Serviço de Urgência onde, ainda assim, o HVFX instalou três salas de observação onde é feito um internamento inicial (60 utentes) até que haja vagas nas enfermarias.

Fonte do HVFX disse, ao PÚBLICO, que têm afluído à urgência bastantes casos de índole respiratória, mas que ainda não há sinais do “pico” da gripe habitual nesta altura do ano. Garantiu, também, que os planos de contingência prevêem um reforço das equipas de urgência, que tem sido cumprido. Admitiu, no entanto, que se repitam situações de “contingência máxima” nas próximas semanas, tal como aconteceu no Inverno de 2018/2019.