Natal e redes sociais: união ou alienação?

As tecnologias de comunicação e as redes sociais são essenciais à união e percepção de pertença: unem pessoas e grupos através da partilha. No entanto, em início de festas, é essencial que façamos o balanço: estamos a criar união ou alienação?

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Participar da quadra natalícia é uma excelente experiência para (re)pensar o modo como nos vemos no mundo. Tive a oportunidade de ver os inúmeros sorrisos de pessoas felizes, estejam sozinhas, com família ou amigos. O Natal parece que desperta os sorrisos mais alegres e contagiantes, que fazem com que não seja apenas a boca a sorrir, mas também os olhos. Tudo muito bem enquadrado num cenário idílico de luzes, adereços e decorações que fazem com que o mundo pareça perfeito.

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Participar da quadra natalícia é uma excelente experiência para (re)pensar o modo como nos vemos no mundo. Tive a oportunidade de ver os inúmeros sorrisos de pessoas felizes, estejam sozinhas, com família ou amigos. O Natal parece que desperta os sorrisos mais alegres e contagiantes, que fazem com que não seja apenas a boca a sorrir, mas também os olhos. Tudo muito bem enquadrado num cenário idílico de luzes, adereços e decorações que fazem com que o mundo pareça perfeito.

Estes motivos, entre muitos outros, são o suficiente para que queiramos partilhar este estado quase pleno com o mundo e, para isso, quase sempre o fazemos com fotos e vídeos nas redes sociais. Até aqui, está tudo excelente: estamos felizes e queremos partilhar a felicidade com os outros. Porém, até que ponto esta partilha não se torna no falso ambiente em que estamos apenas a ser fotógrafos de momentos encenados para ter visualizações, likes e alimentar uma necessidade desmedida de valorização externa que ignora quem realmente somos e quem está ao nosso lado?

Quando disse no início do texto que a quadra natalícia é uma excelente experiência para (re)pensar o modo como nos vemos é por isto mesmo: experimenta parar e ver o que se passa à volta no momento das fotos para as redes sociais. Nem sempre, mas frequentemente, não são fotos de momentos que acontecem naturalmente (mas tudo bem). A questão está na encenação, que ou torna o momento num ritual feliz e natural em que todos estão confortáveis ou estamos apenas a ser super-narcísicos porque vagueamos – na verdade, sozinhos – e os nossos amigos e familiares tornam-se nos fotógrafos oficiais de um book fotográfico durante uma excursão pelo mar de luzes. Portanto, estes amigos-familiares-fotógrafos existem, mas não na partilha de momentos sem ecrãs e câmaras a separar as vidas. É suposto precisamente o contrário, que unam!

Não venho apregoar o fim do uso das redes sociais ou de qualquer tecnologia de comunicação, de todo. Acho que são vitais à partilha e aproximação entre pessoas que, por diversos motivos, não podem estar ali ao nosso lado fisicamente, mas podem estar ao nosso lado emocionalmente. Veja-se o caso de famílias em que algumas pessoas estão migradas ou, ainda, a nossa rede de familiares e amigos que nem sempre podem estar presencialmente connosco.

As redes sociais podem ser uma excelente forma de combater a solidão e a distância, mas podem também ser um excesso que conduz a um grotesco erro: o de anularmos a partilha de momentos reais com quem está ao nosso lado, para estarmos num ambiente virtual a partilhar a vida com quem por vezes nem é tão próximo nas nossas vidas. Penso que estaremos todos muito mais conectados se fizermos partilha nas redes sociais apenas depois de fazermos partilha com o ambiente e as pessoas que respiram a mesma brisa que nós, sabendo que todos os ambientes são plenamente possíveis e bons desde que considerem o bem-estar.