TikTok, uma aplicação chinesa, pede desculpa por remover vídeo sobre “campos de concentração” na China

Empresa diz que se tratou de um erro humano, que foi rapidamente corrigido.

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A aplicação chinesa tem-se tornado popular no Ocidente Danish Siddiqui/Reuters

O Tik Tok, uma aplicação de partilha de vídeos criada por uma empresa chinesa, pediu desculpa por ter removido temporariamente um vídeo de uma adolescente americana que criticava o tratamento dado pelo regime de Pequim aos uigures, uma minoria muçulmana na China.

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O Tik Tok, uma aplicação de partilha de vídeos criada por uma empresa chinesa, pediu desculpa por ter removido temporariamente um vídeo de uma adolescente americana que criticava o tratamento dado pelo regime de Pequim aos uigures, uma minoria muçulmana na China.

O vídeo, publicado no dia 23 de Novembro, acabou por estar no centro de uma polémica que se alastrou pela imprensa. Nos primeiros segundos, a autora, Feroza Aziz, de 17 anos, finge estar a fazer um vídeo com instruções de maquilhagem. Mas rapidamente apela a que a os utilizadores pesquisem “o que se está a passar na China, como eles estão a fazer campos de concentração”.

Aziz referia-se àquilo a que a China tem chamado “campos de reeducação” e onde terão estado detidos nos anos recentes mais de um milhão de pessoas de minorias étnicas e religiosas daquele país, sobretudo uigures.

Neste mês, um consórcio de jornalismo de investigação revelou documentos que detalham o tratamento dado às pessoas naqueles campos e o objectivo do Governo chinês de modificar crenças e comportamentos. A investigação foi publicada por múltiplos órgãos de comunicação internacionais, como o New York Times, o Guardian e a BBC. Os campos são descritos como prisões de alta segurança, onde os detidos são sujeitos a punições e de onde não sabem quando vão sair. Pequim negou as acusações.

Dias após a publicação do vídeo, Aziz viu a sua conta bloqueada pelo TikTok, uma aplicação criada pela tecnológica chinesa ByteDance e dirigida ao mercado fora da China. A popularidade do TikTok tem vindo a crescer, sobretudo entre utilizadores mais novos. Para além do bloqueio da conta, o vídeo esteve também suspenso durante um curto espaço de tempo.

A empresa, porém, acabou por admitir ter-se tratado de um erro e garante que o conteúdo do vídeo não infringe as regras de uso da plataforma. A explicação veio do responsável de segurança da subsidiária americana do TikTok, Eric Han, que afirmou que o caso começou com um vídeo anterior àquele em que Aziz fala dos “campos de concentração”.

De acordo com a explicação de Han, Aziz tinha publicado a 14 de Novembro, numa conta diferente do TikTok, um vídeo com uma fotografia de Bin Laden, o que vai contra as regras da aplicação (que não permite a publicação de imagens de terroristas, independentemente do contexto). Isso levou a que o TikTok bloqueasse essa conta. Como Aziz usava o mesmo dispositivo para aceder às duas contas, acabou por ficar sem acesso também à conta onde publicara o vídeo sobre a China. De acordo com Han, esta segunda conta continuava acessível a partir de outros aparelhos e o vídeo continuava a poder ser visto por qualquer utilizador.

Dias depois, a 27 de Novembro, “devido a um erro humano de moderação, o vídeo viral de 23 de Novembro foi removido”, diz Han. “É importante clarificar que nada nas nossas orientações de comunidade impede conteúdo como este vídeo, e não deveria ter sido removido”, acrescenta o responsável, notando que o vídeo esteve inacessível durante 50 minutos.

Porém, não é claro que o vídeo de Aziz não infrinja regras internas do TikTok. Em Setembro, o Guardian revelou documentos da empresa com instruções para os moderadores de conteúdo. Estas regras determinavam, por exemplo, que fossem removidos vídeos com referências aos acontecimentos da Praça de Tiananmen ou à independência do Tibete, dois assuntos que são espinhosos para Pequim há anos. As regras também impediam vídeos com referências a 20 figuras internacionais, entre as quais Donald Trump e outros líderes mundiais (o Presidente chinês, Xi Jinping, não era mencionado). Na altura, a empresa respondeu que as regras noticiadas já não estavam em vigor desde Maio.