Tribunal francês condena Sonae Indústria após falência de fábrica

Grupo suíço-alemão Gramax comprou fábrica à Sonae Indústria em França em 2015 e, pouco tempo depois, encerrou a unidade. Cerca de 130 trabalhadores ficaram no desemprego.

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A Sonae Indústria é presidida por Paulo Azevedo Nelson Garrido

A Sonae Indústria e a sociedade de investimento suíça-alemã Gramax Capital foram condenadas por um tribunal de trabalho em França a indemnizar mais de 100 trabalhadores de uma fábrica de painéis de partículas de madeira que entrou em insolvência — acabando por ser liquidada e fechar as portas — pouco depois de a Sonae Indústria (do universo Sonae, que detém o PÚBLICO) a ter vendido ao grupo suíço-alemão, revela o Negócios na edição desta quarta-feira.

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A Sonae Indústria e a sociedade de investimento suíça-alemã Gramax Capital foram condenadas por um tribunal de trabalho em França a indemnizar mais de 100 trabalhadores de uma fábrica de painéis de partículas de madeira que entrou em insolvência — acabando por ser liquidada e fechar as portas — pouco depois de a Sonae Indústria (do universo Sonae, que detém o PÚBLICO) a ter vendido ao grupo suíço-alemão, revela o Negócios na edição desta quarta-feira.

Depois de em Julho de 2015 a Sonae Indústria ter vendido a fábrica Darbo SAS, onde trabalhavam 131 trabalhadores, à sociedade de investimento suíço-alemã, a Gramax Capital anunciou um plano de investimento a dois anos, com a promessa de injectar 11,4 milhões de euros, mas, mais tarde, apresentou a empresa à insolvência no Tribunal de Comércio de Dax, no Sudoeste francês, onde a empresa acabaria por entrar em liquidação, conta o mesmo jornal.

Entretanto, os trabalhadores avançaram com acções judiciais no Tribunal de Trabalho reclamando o pagamento de indemnizações por alegado despedimento sem justa causa. Entre os visados da acção estavam a Gramax e a Sonae Indústria, ou seja, o vendedor e o comprador da Darbo SAS antes de esta fábrica falir.

Segundo o Tribunal, escreve ainda o Negócios, a Sonae Indústria e duas sociedades da Gramax Capital têm a obrigação conjunta e solidária de pagar indemnizações aos trabalhadores da fábrica – cerca de 3,6 milhões de euros – porque deu como provado que o grupo português e o grupo suíço-alemão mantiveram a posição de empregadora em conjunto na Darbo SAS.

A empresa portuguesa decidiu recorrer da sentença. “A Sonae Indústria está a aguardar tranquilamente a decisão do recurso que apresentou contra a decisão de um tribunal local de primeira instância, que proferiu uma decisão que lhe foi desfavorável na acção movida por ex-trabalhadores da sociedade Darbo”, referiu ao Negócios fonte oficial da empresa presidida por Paulo Azevedo, afirmando que a Sonae Indústria “discorda dos argumentos utilizados na decisão proferida por considerar não existir efectivamente uma situação de co-emprego”.

Além do pedido colocado no Tribunal de Trabalho, entrou no Tribunal Cível de Dax uma outra acção na qual os trabalhadores reclamam a anulação da própria venda da fábrica. Segundo o Negócios, os trabalhadores alegam que a venda terá sido alegadamente fraudulenta, por considerarem que o encerramento foi organizado e forma deliberada pelas duas partes.

A Gramax Capital, que comprou a ex-subsidiária da Sonae Indústria em Dax, tem um historial de insolvências nos últimos anos não apenas em França, mas também em Portugal e na Alemanha. A Gramax é o mesmo grupo de investimento que comprou e a antiga fábrica de roupa interior Triumph, em Sacavém (Loures), que veio a encerrar em 2018, decretando a sua insolência e deixando no desemprego cerca de 500 pessoas. A antiga fábrica seria comprada em Junho de 2018 por um fundo espanhol, por mais de 4,2 milhões de euros.