Rafa: o veloz craque do Benfica que é mestre das apostas

O internacional português está a justificar nesta época os 16 milhões de euros que o Benfica desembolsou pelo seu passe. No domingo, assinou uma obra de arte em Braga.

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Rafa já leva 16 golos nesta temporada. LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Um vila-franquense a crescer no rival Alverca já é, por si só, um facto merecedor de destaque. Mas Rafa é mais do que isso: é um ribatejano que fez pela vida no Norte do país, um rapaz franzino que teve de contornar a desvantagem física e um atacante pouco goleador que teve de aprender a marcar golos. Em 25 anos, Rafael Alexandre Fernandes Ferreira da Silva tem superado várias provas durante a carreira e é, agora, uma aposta segura na Luz. E “aposta” é a palavra-chave de uma carreira feita sempre em crescendo: do Povoense para o Alverca, do Ribatejo para o Feirense, da Feira para o Sp. Braga e do Minho para o Benfica.

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Um vila-franquense a crescer no rival Alverca já é, por si só, um facto merecedor de destaque. Mas Rafa é mais do que isso: é um ribatejano que fez pela vida no Norte do país, um rapaz franzino que teve de contornar a desvantagem física e um atacante pouco goleador que teve de aprender a marcar golos. Em 25 anos, Rafael Alexandre Fernandes Ferreira da Silva tem superado várias provas durante a carreira e é, agora, uma aposta segura na Luz. E “aposta” é a palavra-chave de uma carreira feita sempre em crescendo: do Povoense para o Alverca, do Ribatejo para o Feirense, da Feira para o Sp. Braga e do Minho para o Benfica.

“Aposta” é, também, o substantivo que permitiu a Rafa ter continuidade na equipa do Benfica — cortesia de Rui Vitória, primeiro, e de Bruno Lage, depois. E é, igualmente, um hobby importante na vida extra-relvado de um ribatejano fã de leituras, teatro e comédia.

Ao PÚBLICO, Tiago Jogo, ex-colega de Rafa, no Feirense, recorda que o amigo, para além de fã de videojogos, era um especialista em apostas desportivas. “Quando acertávamos, festejávamos como se tivéssemos subido de divisão. Éramos miúdos…”, recorda o ex-colega.

No entanto, não só de desporto se faz a perícia de Rafa, que também “tem olho” para a roleta. “Ele adorava jogar na roleta. Uma vez, saímos do treino e, quando cheguei a casa — cerca de 20 minutos depois do treino —, o Rafa ligou-me, muito contente, e disse: ‘Mano, acabei de ganhar mais de 500 euros na roleta, a jogar no casino online’. Ele passava tardes naquilo”.

Jogador “demasiado” rápido

Hobbies à parte, o certo é que Rafa demorou a justificar a aposta do Benfica. O clube “encarnado” teve de desembolsar 16 milhões de euros, em 2016, para o resgatar ao Sp. Braga. A “novela” da transferência, recorde-se, durou até aos últimos segundos do fecho do mercado de Verão, com o negócio a ser confirmado já madrugada dentro.

O Benfica contratava, nessa noite, um ala rápido e desequilibrador, mas ainda por lapidar. Henrique Nunes, treinador que lançou Rafa no futebol profissional — na altura, no Feirense —, explica, ao PÚBLICO, que o jogador de há sete anos não é o Rafa de 2019.
“Nessa altura, eu já achava que o Rafa era o atleta que treinei que mais velocidade tinha com bola. A velocidade com bola era quase a mesma que tinha sem bola. Mas há uma grande diferença: ele era rápido, mas pecava no momento do último passe ou da finalização. A velocidade era tão grande que ele tomava a pior opção. Agora, está a definir muito melhor e a prova são os golos que tem feito”, detalha o actual treinador do Águeda.

Rafa já leva 17 golos nesta temporada (terminaria com 21) e ganhou o direito a “chutar” para longe o rótulo de jogador que não sabia finalizar. Os vários falhanços em lances de um contra um frente ao guarda-redes deram lugar a finalizações frias e tranquilas, por parte de um homem frio e tranquilo também fora do campo. “É extremamente calmo. Não é exuberante nem de falar muito”, define Henrique Nunes, numa visão assinada também por Tiago Jogo: “O Rafa é um rapaz reservado e muito tranquilo. Gosta de estar no mundo dele”.

No domingo, o extremo marcou um dos golos da vitória do Benfica frente ao Sp. Braga, tirando três adversários do caminho e “traindo” o antigo clube num lance em que mostrou tudo o que o ex-treinador diz dele: velocidade, técnica e a recente evolução na finalização. 

Direita? Esquerda? Meio?

Uma das grandes discussões em torno de Rafa tem sido a da posição ideal para o já 15 vezes internacional português. “Só faz a diferença quando o deixam “embalar” em velocidade”, dizem uns; “Não pode estar colado ao corredor”, dizem outros. O certo é que Rafa tem feito várias posições, tanto durante a carreira como nesta temporada, na Luz.

Henrique Nunes considera que o jogador faz mais a diferença pelo corredor. “Comigo, ele jogava à direita, à esquerda e a 10. Mas eu acho que o Rafa a jogar nas alas poderá ser muito mais influente. Ainda assim, não tenho dúvida de que, depois de rotinado, pode fazer a diferença jogando pela zona central”, explica.

Com uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros — valor que, segundo a imprensa desportiva, o Benfica quer aumentar —, não será fácil tirar Rafa da Luz, mesmo considerando o impacto do português na temporada dos “encarnados”. Mas sobre alguém que começou no Povoense, cresceu no Alverca, apareceu no Feirense, ganhou fama no Sp. Braga e se tornou decisivo no Benfica, não será arriscado prever que ainda haverá um quinto salto em frente.