Temperaturas máximas vão manter-se elevadas pelo menos até ao fim de semana

As temperaturas estão acima da média para esta altura do ano, desde o dia 22, e vão manter-se pelo menos até ao fim-de-semana.

Foto
Adriano Miranda

As temperaturas máximas vão manter-se elevadas no continente pelo menos até ao fim-de-semana, uma situação que resulta do anticiclone posicionado no Atlântico que está a bloquear a passagem de ondulações frontais, segundo a meteorologista Maria João Frada.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

As temperaturas máximas vão manter-se elevadas no continente pelo menos até ao fim-de-semana, uma situação que resulta do anticiclone posicionado no Atlântico que está a bloquear a passagem de ondulações frontais, segundo a meteorologista Maria João Frada.

As temperaturas máximas verificadas e as esperadas podem contribuir, de acordo com a meteorologista, para a existência nos próximos de ondas de calor.

“Este ano temos tido sempre tempo muito seco, com anticiclones a bloquear a passagem das ondulações frontais que seriam habituais para o Inverno e mesmo a Primavera. Neste momento, temos o anticiclone a sudoeste das ilhas britânicas que estende a sua influência em direcção aos Açores”, disse.

A meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) explicou à Lusa que nos últimos meses o anticiclone está posicionado sobre o Atlântico, sobre o interior do continente europeu que estende a sua influência a Portugal continental.

“Esta influência dá sempre origem a um vento de leste com trajecto continental. Independentemente da posição, tem estado a fazer bloqueio à passagem dos sistemas frontais. Tem estado a fazer este bloqueio e infelizmente é o que vai acontecer nos próximos dias, não se prevendo precipitação com alguma abundância”, disse.

Maria João Frada lembrou que na Primavera de 2018, os meses de Janeiro e Fevereiro foram secos, mas depois, a partir de 28 de Fevereiro começaram a passar ondulações frontais e com a depressão veio a precipitação que se prolongou tardiamente até à Primavera e início do Verão.

“Assim, para os próximos dias vamos continuar com tempo seco, com vento do quadrante leste, de terra com trajecto continental e relativamente quente para esta altura do ano. O vento vai soprar com mais intensidade na costa sul do Algarve, sendo moderado a forte com rajadas da ordem dos 65 quilómetros por hora, o que está a gerar agitação marítima forte”, disse.

O IPMA emitiu aviso amarelo para o distrito de Faro devido à previsão de ondas com dois a quatro metros com tendência para baixar para os dois a três metros.

“Relativamente a temperaturas, estamos com valores acima dos valores médios para esta altura do ano desde o dia 22 e vão manter-se pelo menos até ao fim de semana. Não há grandes alterações tirando uma descida pequena da mínima pontualmente na região sul no dia de amanhã da ordem dos dois/três graus Celsius”, disse.

Segundo Maria João Frada, as temperaturas máximas vão variar entre os 20 e os 25/26 graus na generalidade do território, sendo compatíveis com uma Primavera avançada que estão a dar origem a valores acima dos habituais para esta altura do ano.

“São tão elevados que até contribuem para uma onda de calor. É provável que em algumas estações vá haver onda de calor. Temos uma onda de calor sempre que temos seis dias consecutivos em que as máximas são superiores em cinco graus aos valores médios para uma determinada estação. Na maior parte das estações temos já a contribuição para essa situação”, disse.

A meteorologista referiu que o tempo vai manter-se seco com alguma nebulosidade esta quarta-feira e quinta-feira.

“No fim-de-semana poderão ocorrer alguns aguaceiros no interior norte e centro, mas é ainda uma possibilidade. A ocorrer serão muito escassos e não vão reverter a situação de seca que estamos a ter”, concluiu.