Presidente afasta mal-estar com Igreja: “Seria uma magnífica notícia” Papa em Portugal

As jornadas de 2022 serão presididas por Francisco e estão previstas para Portugal. Divulgação antecipada terá deixado os responsáveis da Igreja Católica incomodados.

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Pedro Vilela

A Presidência da República afasta qualquer mal-estar com a Igreja Católica relacionado com a divulgação este fim-de-semana da realização das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de 2022, que estão previstas para Portugal e que serão presididas pelo papa Francisco.

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A Presidência da República afasta qualquer mal-estar com a Igreja Católica relacionado com a divulgação este fim-de-semana da realização das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de 2022, que estão previstas para Portugal e que serão presididas pelo papa Francisco.

“Trata-se de um assunto que é da exclusiva esfera da Igreja Católica”, disse ao PÚBLICO fonte de Belém, acrescentando que uma eventual viagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao Panamá, em Janeiro de 2019, será em primeiro lugar comunicada à Assembleia da República. Foi isso mesmo que o Presidente da República disse já durante a tarde, num encontro com jornalistas no Palácio de Belém. “Seria uma magnífica notícia para Portugal, mas vamos esperar se se confirma, porque há mais candidatos”, disse Marcelo, que já antes tinha referido que seria o papa Francisco a comunicar a sua decisão. “E ele não a dará antes do Panamá, antes das Jornadas de Janeiro, vamos esperar.”

O anúncio oficial da realização em Portugal das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022 deveria ser feito pelo papa Francisco, no Panamá, durante as jornadas que vão decorrer de 23 a 27 de Janeiro. No entanto, o site religioso Religionline antecipou-se e, este fim-de-semana, deu a informação como certa, depois de o PÚBLICO ter noticiado que Marcelo Rebelo de Sousa iria às Jornadas Mundiais da Juventude no Panamá, na esperança de que a candidatura portuguesa apresentada em 2017 seja bem sucedida.

Fontes eclesiásticas disseram, no sábado, ao PÚBLICO que a confirmação da visita do Papa é aguardada. Esta segunda-feira, o Jornal de Notícias avançou que a divulgação antecipada dessa visita incomodou os responsáveis da Igreja Católica e pode até pôr em causa a realização das jornadas em Portugal.

O Presidente da República considerou esta segunda-feira que “seria uma magnífica notícia” a realização em Portugal das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022, mas disse que é necessário aguardar pela “palavra do papa Francisco”. “Seria uma magnífica notícia para Portugal, mas vamos esperar se se confirma, porque há mais candidatos”, acrescentou.

Igreja: “Temos de esperar”

Perante a fuga de informação, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Barbosa, disse ao PÚBLICO que é o “Papa que anuncia” quem recebe as jornadas. “Temos de respeitar a sua decisão”, declara o padre. “Claro que todos gostaríamos que fosse cá. Mas temos de esperar.”

Segundo o JN, há elementos da Igreja Católica que suspeitam que a fuga de informação possa ter partido da Presidência da República, mas fonte oficial de Belém já afastou esta possibilidade, acrescentando mesmo que o Presidente ficou estupefacto com o anúncio antecipado.

A possibilidade de Portugal acolher as Jornadas Mundiais da Juventude em 2022 surgiu com um convite ao Vaticano, feito por D. Manuel Clemente, no último ano, apesar de a hipótese estar a ser pensada desde 2012. A Suécia e a República Checa são outros países apontados como fortes candidatos.

Segundo o Religionline, o cardeal-patriarca de Lisboa oficializou o pedido para receber as Jornadas Mundiais da Juventude há precisamente um ano e desde 2012 que, em várias reuniões do Conselho Pontifício para os Leigos, do Vaticano, a hipótese de Portugal tem estado a ser pensada.